Hoje no Público, edição impressa, sem link, faz-se referência ao início das conversações com a Turquia sobre a sua adesão à União Europeia.
Recorde-se que estas conversações estavam empatadas porque o Chipre exigia que se referisse que estas só continuariam se a Turquia reconhecesse este estado do Mediterrâneo . Acabou-se por chegar a uma fórmula de consenso que diz a Ancara que «o reconhecimento de todos os Estados-Membros é uma componente necessária do proccesso de adesão». Era o que mais faltava…
Então ia agora um Estado entrar na União, sem que reconhecesse todos os que já lá estão? Encontremos um paralelo ridículo: convidamos um colega a jogar futebol conosco, mas ele ignora o ala direito e joga como se esse não estivesse em campo. Faz sentido.
O alargamento da UE, em particular a adesão da Turquia (tida por tantos como tão urgente) leva a pensar na fórmula da UE como tal. Será a UE uma união territorial, uma união económica, uma união política? Certamente um pouco de todas, mas tão pouco cada uma destas por si só.
Pois se fosse só territorial, não haveria negociações de adesão, bastaria definir onde começa e acaba a Europa para aceitar todos os países que quisessem. Se fosse só económica os países de Leste teriam muito que esperar até entrar e se fosse apenas política o parlamento europeu teria de facto alguma função importante, e provavelmente a Comissão seria eleita.
O que torna a questão turca tão complicada é que junta de um lado os que vêm problemas nestas três vertentes, e no outro os que os ignoram e querem que a Turquia entre rapidamente, por razões que parece mais terem que ver com o "perigo" duma Turquia desamparada que com a definição da União Europeia.
Pois eu acho muito bem que se analíse extensivamente se a Turquia tem ou não condições para se juntar a esta União, e se a União tem condições de deixar que a Turquia entre. E aos que vêm com a história de que a UE não um clube, e que só mostramos arrogância em analisar e lá mais sabe Deus, eu recomendo que não tapem o Sol com a peneira: a Turquia e todos os outros países (tal como Portugal há anos atrás) querem entrar no clube europeu por razões económicas. Querem fundos, a PAC, o Euro e tudo mais (ok, sobretudo a PAC).
Pois se os que aderem querem todas as vantagens, os que cá estão também têm direito de analisar se tiram vantagem da adesão de mais um.
Ui, blasfémia, os membros da UE querem fazer negócio com os que aí vêm. Pois querem; ninguém, investe dinheiro na UE a fundo perdido. Quer um retorno, seja ele político ou financeiro ou económico.E parece-me perfeitamente normal… Talvez a única vez que não foi assim, foi após a queda do muro de Berlim, quando se juntaram as Alemanhas, por vontade do CDU de Kohl, e contra o SPD, que queria mais prudência.
E parece que a Alemanha ainda anda a pagar…