À Vontade do Freguês






10 June, 2006

Por isso é que temos advogados…

O Gil Vicente estava para descer da 1ª divisão de futebol (a favor do Belenenses, que ficaria) porque, ao abrigo dum - agora famoso - artigo 63 «os clubes que recorram a tribunais comuns para apreciação de questões contidas na regulamentação desportiva sem autorização da Liga ou da Federação serão punidos com a descida de divisão.» (Acho este artigo muito, muito estranho, nem sei como é possível que seja permitido que um membro de uma qualquer associação não possa recorrer para um tribunal, para que este (imparcial que será) decida, p. ex., sobre a aplicação do estatutos nesse mesma associação, mas enfim Wir sind in Portugal… se calhar entupiam-se demais os tribunais, mas não me parece que nesse caso fossem as asssociações a proibir.)

Agora, depois duma sinistra sessão da Comissão Disciplinar da Liga, o Gil não afinal não desce. Conclusão: Belenenses vai recorrer para a procuradoria-geral na segunda-feira 

Preciso dum advogado para me explicar esta reviravolta… 


Sobre como à esquerda tudo é permitido…

N’O Insurgente faz-se referência a um post de Aleksander Boyd, que é acusado por Ken Livingstone, Red Ken, mayor de Londres, de ser um apoiante do terrorismo contra a democracia venezuelana. 

Ao que parece Boyd teria afirmado que «once all democratic tools had been sequestered by a criminal State the only recourse left to regain the lost liberties was violence.»  Concorde-se ou não (pessoalmente acho que a nossa liberdade é o mais importante, e que devemos lutar sempre por ela. E como às vezes os fins justificam os meios…), Livingstone, confundindo conceitos, afirma o citado.

Boyd responde pois no seu post duma forma bilhante, e enuncia tudo o que não é, e que Chavéz é, como:

It was I, who conspired for many years with fellow military men to overthrow democratically elected governments.

It was I, who led a coup d’etat in 1992 against a democratically elected president, causing numerous deaths.

It was I, who, whilst safely sheltered from bullets in the Military Museum, ordered the assassination of the democratically elected president of Venezuela and that of his family.

E termina da seuinte forma:

And lastly, -I could go on for days, it was my comrade the Mayor of London, who, in keeping with his democratic foreign policy agenda, invited an Islamic fundamentalist who openly called for the execution of gay men and implementation of barbaric practices upon women in London’s City Hall.

É impressionante como no mundo em que vivemos as ditaduras só são más se são direita, porque as de esquerda protegem o povo (nunca percebi quem é esse povo que tem de ser protegido de si mesmo… ). Se ninguém tem dúvidas que Pinochet era muito mau, já Allende não seria… Se Hitler foi o maior ditador do século XX, já Estaline e Mao e Pol Pot e Fidel e Kim Jong-Il e Lukashenko não estarão no Top 10.

Importa ver e notar que não há ditaduras boas nem más. Ou num país se vive em liberdade, ou não… E vir depois dizer que há certos povos ou culturas que não  estão "preparadas"  para a democracia, é a facada final que mostra bem como pensam estas pessoas: que só a raça superior, tem capacidade para praticar a melhor forma de sociedade e que as outras terão que evoluir e que ainda estão muito atrasados.

Mas isso fica para outro post


Sá da Bandeira…

Ontem à noite fui a um extraordinário concerto aqui na Invicta.

A abrir um espetáculo (sim, foi mesmo um espetáculo…), estava a mãe do Rock Portugês: José Cid. Um homem inacreditável que  com um piano apenas, sem banda ou playback, encheu a sala com clássicos que todos conheciam. E a plateia era jovem: à excepção do camarotes e das tribunas, todos tinham entre 18 e 35 anos… Desde a "Cai Neve em Nova Iorque" a "20 Anos" o José Cid pôs todos a cantar, o que só seria de explicar, segundo o próprio, por os nosso pais nos obrigarem a ouvir os seus discos para não comermos a sopa. O homem está vivo e recomenda-se e ninguém deve perder a oportunidade de o ver ao vivo. (Foi a minha terceira vez e nunca me arrependi)

Após o intervalo entraram em palco os filhos do rock português, esse grandes senhores que dão pelo nome de Azeitonas. Claro que jogavam em casa e todos conheciam as músicas, mas Mendes, Marlon, Salcedo, a belíssima Nena e os restantes músicos não se deixaram levar pela simplicidade e tocaram alguns temas menos conhecidos, e evitaram outros que teriam tido um sucesso sem dúvida ("Gostar de Amor" ou "Hooligan", que todos queriam ouvir, no fim). Apresentaram também o seu videoclip que mostra tudo de bom destes rapazes: irreverência, estilo boys band inconfundível, presença de Nena e um grande som.

No fim surge o pai do rock português Rui Veloso, que vem cantar com eles o seu título Cine-Felicidade, sobre um cinema em que a luxúria do programa Hardcore dá problemas ao miocárdio dos visitantes. Esta música era o Lado B de "Um café e um bagaço" e era ontem cantada pela primeira vez ao vivo ali… no Sá da Bandeira… (como podia deixar de ser?)

Veloso ainda cantou Paixão (bem, quem cantou foi quase só o público) com Cid, sorrateiramente, na bateria… Por fim todos se juntaram para finalizar o concerto, que ficará decerto na memória de todos que lá estiveram… ( e que belíssima fórmula de encerrar o relato de um concerto!)

Próximos concertos da Azeitour (sem Cid e Veloso, mas, por exemplo, com as Doce em Lisboa) podem ser consultados aqui.


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