À Vontade do Freguês






19 June, 2006

“Hate Crimes”

Adolfo Mesquita Nunes fala aqui da resolução do Parlamento Europeu que apela à luta contra a impunidade do crime de motivação racista ou homofóbica. Gosto muito deste PE, e gosto muito de Ana Gomes, que está no PE para usá-lo. E gosto muito que se condene e apela à luta contra o crime. Mas qualquer que seja, por amor de Zeus.

Também gosto muito do deliciosamente incorrecto South Park, e lembro-me do episódio Cartman’s Silly Hate Crime em que é protagonizada a seguinte cena:

Stan: Oh, uhyeah. [walks to the easel and clears his thoat] Hello, Mr. Governor, and thank you for taking the time to hear our presentation on hate-crime laws, entitled, "Hate Crime Laws: A Savage Hypocracy." [shows the title page. Kyle presses the play button for some ambience] Yes, over the past few years our great country has been developing new hate crime laws.
Token: [flips a page to depict a stabbing in progress] If somebody kills somebody, it’s a crime. But if someone kills somebody of a different color, it’s a hate crime.
Kyle: And we think that that is [flips the page to reveal a copy of the title page] a savage hypocracy, because all crimes are hate crimes. If a man beats another man because that man was sleeping with his wife, is that not a hate crime?
Stan: [flips the page to reveal a person tagging City Hall] If a person vandalizes a government building, is it not because of his hate for the government?
Token: [flips the page to reveal a man being hit deliberately by a car] And motivation for a crime shouldn’t affect the sentencing.
Stan: [flips the page to reveal warring groups of people around a question mark] Mayor, it is time to stop splitting people into groups. All hate crimes do is support the idea that blacks are different from whites, that homosexuals need to be treated differently from non-homos, that we aren’t the same.
Kyle: [shows a rainbow of people holding hands] But instead, we should all be treated the same, with the same laws and the same punishments for the same crimes [Stan flips the page to reveal their hate crime proposal]. For in that way Cartman can be freed from prison, and we [flips the page to show them winning a sledding race] will have a chance to win the sledding race on Thursday.

Quem melhor que um bando de crianças mal-comportado e com as piores intenções para falar de crimes de ódio…? 



O grande esquema

A minha mãe, confesso, é funcionária pública.

Há uns anos podia salvar esta vergonha dizendo que é professora. Hoje já nem isso a safa, até os professores vão perdendo o seu estatuto… Mas foi ela que me alertou para este artigo no Diário Económico. Assinado por Ricardo Reis, é brilhante a forma como desmonta o efeito das greves na credibilidade do serviço público (na que ainda restará), nomeadamente no da educação. Reis começa por recordar um livro que lera, chamado"The Scheme for Full Employment", em que Magnus Mills descreve um esquema para atingir o emprego pleno num país. O esquema corre bem, é auto-suficiente e financiado pelos impostos, até ao dia em que começa a correr mal porque alguns trabalhadores querem ter o direito a sair mais cedo, e organizam uma greve. Com efeitos devastadores.

«Enquanto as operações estiveram paradas, os outros cidadãos notaram que não se sentiu falta de nada. Os trabalhadores do esquema começaram a ser vistos como preguiçosos e egoístas. A atenção da imprensa expôs o custo do esquema para cada contribuinte. Uma inspecção de rotina é escrutinada pela opinião pública e descobre falhas graves. Pouco tempo depois, o esquema é encerrado.»

Numa belíssima parábola daquilo que é grande parte do serviço público, é desmontado esse mesmo "esquema", que, segundo um irónico Ricardo Reis «é de ficção. Na vida real, esquemas tão brilhantes como o de Mills certamente nunca terão um fim


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