PREC
A história do PREC está por fazer. É um facto. Há livros que tentam fazer um apanhado do que se passou; os que mais gostei foram NOVEMBRO 25 - ANATOMIA DE UM GOLPE, de L. Pereira Gil, e O Antigo Regime e a Revolução, de Freitas do Amaral (hoje em dia talvez mais insuspeito). Ainda assim, nenhum dos factos relatados é discutido o suficiente hoje em dia. Nem sequer contestado, para que se possa fazer a discussão necessária… Aposto que se perguntarmos aos estudantes do 12º ano de hoje, 9 em 10 respondem que após o 25 de Abril houve logo liberdade (de expressão, de associação, etc - tal como o mito alimenta), o que pura e simplesmente não é verdade.
Há dias vi uma reportagem (creio que na SIC), que dava de conta de mais um passo na direcção certa: um ex-militante maoísta lançava um livro de memórias da época. Além do tema em si (o autor, Pinto de Sá, fora preso após o 25 de Abril por ter "colaborado" com o Regime - tinha-se limitado a quebrar perante a tortura da PIDE), o próprio ar da reportagem era refrescante e muito crítico ao período da história em causa. Pode ser que venham aí tempos diferentes, embora o próprio Pinto de Sá toque num ponto que depois é explorado aqui pelo LAm. É que enquanto forem os protagonistas da altura (no caso, Fernando Rosas) a "escreverem" a história, nunca haverá a devida vénia à realidade.
É isso e é o mito de que quem era contra a Ditadura do Estado Novo, automaticamente (por magia vermelha, certamente) seria um democrata. Esse deve ser o primeiro assalto do debate cultural, e está bem patente neste artigo. Citando:
«Também por isso foi particularmente revoltante que, na semana em que se cumpriu um ano sobre a morte de Álvaro Cunhal, tenhamos lido nas páginas do jornal (DN, 16/6/06) um exercício de falsificação histórica, mentira desavergonhada e anticomunismo primário. Houve um senhor que disse isto: “o partido comunista não tem ideologia. O PCP tem 85 anos de história, quase todos vividos na base da defesa da União Soviética. Logo, a única ideologia a que isto corresponde é aquela que não pode ser dita: a ideologia de um partido que defendeu o estado repressivo, em que os trabalhadores não podiam ter sindicatos, não podiam ter liberdade de opinião, não se podiam exprimir, não se podiam organizar, não se podiam manifestar porque, na sequência da tragédia que foi o estalinismo, qualquer opositor seria necessariamente preso. E este modelo de sociedade – que é um modelo grotesco, pavoroso, de destruição da liberdade do povo e da própria ideia do socialismo – é o que corresponde à história inteira do PCP”. » (destaques meus)
O autor apenas parece lamentar que tenha sido Louçã e não Portas (o Paulo) a proferir tal "disparate". Quanto a mim, não há mal nenhum: desta dou razão a Louçã (se ele a tem, que diabo…), ainda que ele defenda o mesmo, mais coisa menos coisa…

