À Vontade do Freguês






31 July, 2006

Destruir, destruir, destruir…

Liderados pelo mítico Bové, activistas anti-"Organismos Geneticamente Modificados" destruíram entre ontem e hoje pelo menos três campos. Num dos casos, a turba juntou 200 (!) pessoas num infeliz atentado à propriedade particular. Bové justifica-se «Queremos, com esta acção realizada de forma transparente, denunciar um tipo de cultura ilegal, uma situação de não-direito. O problema de fundo é que não existe legislação, nem cartografia, nem informação ao público.»

Repare-se na inteligência do argumento: uma situação é, no mesmo fôlego, declarada como ilegal e sem lei. Fica-se a saber que para ests selvagens, o que não tem cobertura legal, é passível de ser destruído, desde que muita gente ache que isso é prejudicial para todos. (De sublinhar ainda, que a acção foi totalmente transparente, só para que não restem dúvidas.)

Vêm-me à mente imensas coisas, mas a mais provável de enfurecer certas pessoas salta à vista: e os transsexuais?


29 July, 2006

Democracia moral?

Uma discussão interessante e cordial ns comentários a este post, com o teor do qual aliás concordo: que raio interessa quem comete uma acção, se as consequências para a vítima são as mesmas? É no fundo esta questão de novo.


28 July, 2006

Alterações Climatéricas - It’s not over yet…

Foi ontem a audiência "Questions Surrounding the ‘Hockey Stick’ Temperature Studies: Implications for Climate Change Assessments" na Casa de Representantes. Conclusões? In fact it has become quite fashionable of late to assert the global warming debate is over and an overwhelming scientific consensus prevails. This is simply untrue.

«In telling the global warming story the IPCC, since 2001, has relied very, very heavily on what has become known as the "hockey stick". It is based on a 1999 paper, the principal author of which was paleoclimatologist Michael Mann.

(…)

Two Canadians, Steve McIntyre, an engineer, and Ross McKitrick, an economist, challenged Mann’s work in 2003. They argued his technique produced hockey sticks from just about any set of data. Mann responded in a notably less than scientific manner by withholding adverse statistical results and important data, and discouraging the publication of criticism of his work.

(…)

A group of statisticians to assess the Mann data (…) [found] Mann’s statistical work flawed and unable to support the claims of the hottest century, decade and year of the past millennium.

(…)

[The new developments destroy]  the idea of an alarming escalation in global temperatures and, as the Wall Street Journal remarked on Friday, brings the present temperature rise within the range of natural historical variation(todos bolds meus)

Enfim… Duvide-se sempre do que cheira demasiado a consenso… Mais aqui


Agradecimentos…

Após mês e meio de existência, sou a agradecer a quem linka para o meu modesto blogue, mantido a custo :D

(na ordem do Technorati, a começar pelo mais recente)

A Arte da Fuga

Blogue Coiso

Neo-Liberalismo

Lóbi do Chá

O Insurgente

Obrigado a todos! 


27 July, 2006

E esta, hein?

O governo acaba de me convencer da sua superioridade. Confesso que não obstante o que diziam os que me rodeiam ainda não estava convencido. Mas os dias de desconfiança acabam hoje. E aqui, à Porta 65.

«A iniciativa[do Governo], denominada Porta 65, numa alusão ao artigo 65º da Constituição Portuguesa, que consagra o direito de habitação, visa a criação de uma agência central que vai contratualizar este serviço e intermediar a oferta (dos proprietários públicos e privados) e a procura (dos candidatos a inquilinos).»

Esta é a nova proposta do Governo. O Estado «vai contratualizar casas para arrendar com proprietários públicos e privados para aumentar a oferta do mercado de arrendamento apoiado e incentivar a reabilitação» 

Brilhante. Lá vai o Estado entrar em mais um mercado, em vez de se cingir a regular e fiscalizar… Mas poderíamos ainda ter dúvidas. Se calhar entra no mercado em igualdade com os privado. Tirem daí o sentido:

«"O objectivo é reduzir os riscos, criar segurança e garantir níveis de rendibilidade" (…) "Muitas resistências relativamente à colocação de casas no mercado de arrendamento surgem devido à cobrança de rendas. Desta forma, os privados têm a garantia de que enquanto disponibilizarem os seus fogos à agência terão uma rentabilidade fixa, independentemente da ocupação dos espaços", salientou.» Assim nos explica Maria João Freitas, do conselho directivo do INH.

E isto é óptimo. Porque se eu tenho uma casa parada, pela razão que bem quiser, posso passar a ganhar uns trocos com isso. Mas quem é que eles acham que vão ajudar com isto? Aquele maníaco que não quer alugar os seus imóveis porque não quer as casas ocupadas? Esse continua como está… Então, e quem quer e não arranja quem alugue? Esse dificilmente se enquadra em ter «resistências relativamente à colocação de casas no mercado de arrendamento». Aliás, não vejo nenhum caso que se enquadre nesta categoria. Há montes de casas por alugar porque o senhorios não se oferecem a alugá-las por medo de não ter rendimento? Não faz sentido… Note-se que com a casa vazia há um rendimento sempre garantido: o rendimento zero.

Julgo que esta medida é típica do trabalho deste governo. Uma medida que não tem nenhuma função que se veja, mas que será certamente benvinda a quem quer mais um subsidiozinho. Pois é disso que se trata… 


Rio, o Rivoli e o Porto bem gerido

Poderíamos achar normal que fossem os velhos do costume a queixar-se do Presidente da Câmara: a oposição camarária, os agentes culturais, etc. Mas não deixa de ser curioso que os mesmos que estão sempre a saltar em cima das decisões da Câmara a venham atacar quando esta vai deixar de decidir directamente sobre um equipamento camarário. Ou seja: no momento em que a Câmara admite deixar de decidir directamente sobre o Rivoli, para que o comece a fazer uma empresa do ramo, os mesmos que sempre disseram que a Câmara só toma decisões erradas (particularmente na área da Cultura) não concordam. É de facto preso por ter cão e preso por não ter…

Todos sabemos que os únicos interessados numa gestão pública deste equipamentos são os artistas. Senão vejamos: os munícipes financiam através dos seus impostos um equipamento do qual não têm direito a não usufruir - não pagando pois os impostos. No âmbito dessa nuvem de desperdícios que é o mítico "serviço público" os equipamentos culturais são os mais propícios a desperdícios: Arte é tudo o que o Artista quiser, quer tenha muitos visitantes quer não, e ai de quem tentes racionalizar o sector e as despesas. Assim, vamos alegremente financiando os Artistas que actuam em salas em que não queremos entrar, e onde os que entram usufruem também do nosso imposto involuntário, mas irrecuperável. Em que é que a gestão privada nos ajuda a combater o desperdício? A conta é fácil: para que uma empresa invista no sector terá de rentabilizar o dinheiro que gasta. Assim, supõe-se, será dada prioridade a espectáculos que encham as salas. Ou seja, o munícipe-consumidor-contribuint e tem duas vantagens: verá o seu dinheiro canalizado para outras obras que não uma Cultura subsídio-dependente, e verá, em príncipio, o Teatro Rivoli encher-se de espectáculos mais cativantes.

Todo este levantamento contra esta medida é fácil de compreender: os lóbis dos artistas instalados perderão influencia na programação e assim terão que se esforçar em criar - blasfémia! - uma arte que atraia espectadores, pois essa, teremos a certeza não faltará no novo Rivoli. É um pouco como o que impede a verdadeira reforma da função pública: os instalados - que, evidentemente, não querem mais que continuar instalados independemente do encargo para o contribuinte - fazem um alarido tal que nunca se muda nada. Mais, vêm se queixar da possível falta de prestígio que esta medida traz ao Porto. Independentemente de não compreender quantos por cento de prestígio (ou qualquer que seja a escala em que se mede o prestígio) se perdem por a gestão ser feita por uma empresa em vez de pela CMP, não se vê qual é o prestígio que o Rivoli traz a uma cidade que tem o centro emparedado e boa parte da população a viver em bairros que nenhum dinheiro do mundo consegue recuperar em tempo útil.

Felizmente Rio é obstinado (às vezes demais) e não parece que volte atrás. E terá com certeza os dividendos enunciados quando o eleitor analisar a sua acção nas próximas eleições. A cereja no bolo seria, de verdade, que o dinheiro poupado pela CMP nesta reestruturação do Rivoli fosse retornado numa baixa de impostos ou taxas municipais, mas julgo estar a pedir demais. Ainda assim, esperemos que este possa ser mais um passo de vários que fazem do Porto uma cidade mais bem gerida e mais eficiente. Pode ser que a CMP se transforme numa mera reguladora e fiscalizadora de todos os serviços que agora presta, e que estes passem a ser prestados por privados.

Viver-se-ia melhor no Porto.


18 July, 2006

Concorrência desleal…

Muitos não devem ter lido esta notícia, que saiu ontem no Público Locasl do Porto. Vou resumir:

 

A Escola [pública] Clara de Resende, vai abrir no próximo ano lectivo o curso de Ciência e Tecnologia, sendo que é a única escola [pública] do Porto sem esse curso. A Escola assumiu com a DREN o compromisso de não aceitar inscrições de alunos exteriores para o novo curso, para tranquilizar os que receiam que a abertura deste curso possa fazer diminuier ou fechar aquele curso na Escola [pública] Fontes Pereira de Melo, a 80 m.

Brilhante. E assim se gasta o nosso dinheiro… Uma escola aumenta a oferta de cursos e nem pode aceitar alunos externos para que na escola ao lado se mantenha o tacho de quem oferece o mesmo curso… Claro que não passa pela cabeça de ninguém que se o curso da Fontes Pereira de Melo fechasse, isso teria sido a escolha consciente dos clientes das escolas, que pagam o sistema (com o resto dos contribuintes), e como tal uma escolha legítima.


13 July, 2006

Não pode ser!

À boleia de mais uma interferência na Economia, o «Governo quer taxar as lâmpadas brancas e incandescentes.»

(via Insurgente)

Pergunta o leitor, mas para que raio há de se taxar as lâmpadas, sejam elas quais forem? Não há razão nenhuma que se veja, mas há um objectivo: «medidas previstas para financiar o Fundo Português de Carbono, criado pelo Governo para adquirir toneladas de CO2 no mercado europeu de emissões e que o Executivo tem à disposição para financiar projectos que compensem os excessos de emissão de gases com efeito de estufa.» Ou seja: mais um subsídio, mas um imposto. Limpinho…

Mas dirá, o leitor, também não compro assim tantas lâmpadas, e a isto das emissões até estamos obrigados pelo protocolo de Quito. Independentemente do tal protocolo (que não me apetece discutir agora), não pense nas lâmpadas. Pense no leite. Pense em todo o leite que se deita fora, ou nas multas que se pagam por "excesso de produção" (e na consequente e óbvia subida dos preços devida) só porque existe um sistema de quotas a nível europeu…

Mas desengane-se se acha que os produtores são contra o sistema. Como haviam de os ser, se este garante um salariozinho sempre sem medo de concorrência.

Enquanto o dono de mercearia tem que se safar se ninguém lhe vier comprar, enquanto o empregado tem de se contentar com o desemprego se a sua empresa perder clientes, enquanto todos os que investem e trabalham se sujeitam ao mercado, o produtor do leite não. Paga a multa porque sabe que o sistema é justo. Para ele. Que se lixe o consumidor, ou seja, a maioria da população.

O PCP, sempre disposto a defender a maioria da população, acha o que sistema de quotas (…) em abstracto, é positivo e defensável.

E os produtores?

Já a Confederação dos Agricultores de Portugal garante que emitiu avisos em devido tempo, mas acrescenta que os produtores nada fizeram para reduzir a produção.
Uma ideia sublinhada por Fernando Cardoso da FENELAC, Federação de Cooperativas de Leite e Lacticínios.
(bold meu)

Quem imaginaria um sistema tão belo, em que o objectivo não é produzir mais e melhor, mas sim produzir menos! 

Estejamos pois felizes com o nosso sistema político e económico.


10 July, 2006

Era capaz…

de gastar algum tempo a trabalhar nisto.


Get free blog up and running in minutes with Blogsome
Theme designed by Hadley Wickham