Não pode ser!
À boleia de mais uma interferência na Economia, o «Governo quer taxar as lâmpadas brancas e incandescentes.»
(via Insurgente)
Pergunta o leitor, mas para que raio há de se taxar as lâmpadas, sejam elas quais forem? Não há razão nenhuma que se veja, mas há um objectivo: «medidas previstas para financiar o Fundo Português de Carbono, criado pelo Governo para adquirir toneladas de CO2 no mercado europeu de emissões e que o Executivo tem à disposição para financiar projectos que compensem os excessos de emissão de gases com efeito de estufa.» Ou seja: mais um subsídio, mas um imposto. Limpinho…
Mas dirá, o leitor, também não compro assim tantas lâmpadas, e a isto das emissões até estamos obrigados pelo protocolo de Quito. Independentemente do tal protocolo (que não me apetece discutir agora), não pense nas lâmpadas. Pense no leite. Pense em todo o leite que se deita fora, ou nas multas que se pagam por "excesso de produção" (e na consequente e óbvia subida dos preços devida) só porque existe um sistema de quotas a nível europeu…
Mas desengane-se se acha que os produtores são contra o sistema. Como haviam de os ser, se este garante um salariozinho sempre sem medo de concorrência.
Enquanto o dono de mercearia tem que se safar se ninguém lhe vier comprar, enquanto o empregado tem de se contentar com o desemprego se a sua empresa perder clientes, enquanto todos os que investem e trabalham se sujeitam ao mercado, o produtor do leite não. Paga a multa porque sabe que o sistema é justo. Para ele. Que se lixe o consumidor, ou seja, a maioria da população.
O PCP, sempre disposto a defender a maioria da população, acha o que sistema de quotas (…) em abstracto, é positivo e defensável.
E os produtores?
Quem imaginaria um sistema tão belo, em que o objectivo não é produzir mais e melhor, mas sim produzir menos!
Estejamos pois felizes com o nosso sistema político e económico.

