Às armas…
A guerra no Líbano está a tornar-se cada vez mais na guerra dos media. Qual Vietname com as imagens de Mi Lai, qual Iraque com repórteres embedded. No Líbano combate-se com imagens e vídeos. As vítimas são os consumidores de media que são enganados duma forma incrível. Só que agora, nos blogues, as vítimas ripostam.
Mesmo o mais distraído já terá percebido: algo de podre se passa na cobertura desta guerra. Primeiro foi o "massacre" de Qana em que ‘pelo menos’ 56 mortos passam a 28 em 5 dias [fontes citadas pela Wikipedia]. Depois foi o próprio primeiro ministro libanês que corrige os mortos num ataque de 40 para um, em poucas horas.
Percipitação na comunicação de factos não-confirmados? Certamente. Má-fé? Possivelmente não.
Mas o sururu não parou, e hoje é evidente: há pelo menos uma gravíssima negligência na publicação de imagens do teatro de guerra.
‘Green Helmet’
Tudo parece começar com o homem do capacete verde. Em Qana, surge este homem. No mínimo trata-se de um ajudante particularmente activo. Está em praticamente todas as fotos de Qana (incluindo nos dois aritgos já citados sobre o assunto), e aparece preferencialmente com um corpo nas mãos, normalmente a erguê-lo para a câmara. Ok, realmente é supeito, dirão, mas pode ser de facto um ajudante incansável, que tem azar de ser o único (bem, não é o único, há sempre o senhor t-shirt branca) a aparecer nas imagens. Mas e este filme, em que o mesmo homem aparecer a organizar uma sessão fotográfica a um corpo que já tinha entrado na ambulância?
Não é de estranhar que se fale de "luzes,câmara, acção".
Mas há mais
Mas as coisas não ficam por aqui… Há sempre o homem que se levanta dos mortos, a proprietária imobiliária mais azarada do Líbano, a criança que afinal morreu porque caiu do baloiço, e, claro, o fotógrafo da Reuters que usa o photoshop para "enaltecer" as suas fotgrafias…
O que se lê sobre isto nos jornais? Nada. Mas vamos lendo aqui e ali, neste ou naquele blog. E isto é bom. Mais uma vez o mundo pula e avança graças à tecnologia e à maior presença de fontes e análises. Negligência? Manipulação? Jornalismo de causas? Não sabemos, pelo menos a 100%, mas parece-me que cada vez menos podemos confiar nos media, e cada vez mais temos que confiar no bom-senso e nas nossas convicções.
E entretanto vamos denunciando estes energúmenos.
Que Allah os proteja.

