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O passado post foi o número 100. Obrigado a todos que vão cá passando, continuem a voltar
Micha
Quem viu o debate de ontem - ou outros afins - sabe que o que deveriam ser abortados eram justamente esses debates. Principalmente os moderados por Fátima Campos Ferreira. Aliás, a abstenção registada no último referendo só demonstra que muita gente teme tomar um dos lados. Muito por culpa de quem já lá está, a ocupar as barricadas…
Eu sou contra o referendo. Não me parece que se possa referendar uma questão que para mim é de vida ou morte. Claro que após ter já havido um referendo a questão só pode voltar a ser abordada dessa forma. Além disso, o PS sabe bem que não ganhava eleições se defendesse a alteração da lei por via parlamentar. O PS só faz disto um assunto de refendo por questões políticas: quer ganhar pontos com a vitória do sim, sem perder eleitores no campo do não. E é por isso que o Sim vai ter tudo e todos do seu lado (já não bastava o BE com as Joanas Amaral Dias, as Anas Sá Lopes e as São Josés Almeida todas…).
Ainda assim tenho, já o disse, uma opinião, que terei todo o prazer de partilhar. Acho que a lei devia ficar como está. Porque me aprece estar certo. (Bem sei que é raro, nos dias que correm, as pessoas fazerem o que fazem por acharem que está certo, mas adiante.)
Continuar a ler…Ontem foi daqueles dias pelos quais a minha mãe me vai odiar para sempre: fui ver o Chico Buarque ao Coliseu e ela não
E foi lindo, mas tinha de se ter o TPC feito: conhecer o novo disco dele, que ele tocou todo. O melhor, ainda assim, foi o "bis": "Tanto Mar", "Você era a mais bonita", "João e Maria".
A banda já conhecida de "As Cidades", destaque para Luís Claúdio Ramos e o sambista Wilson da Neves, não falhou - apesar de o violão do Chico me parecer muito mudo… Mas foi, como alguém gritava a dada altura, lindo.
Volte logo.
A questão é parecida com tantas outras: o que se vê versus o que não se vê. As vítimas do Salazarismo toda a gente viu (ou sabe delas, vá). As potenciais vítimas do comunismo foram evitadas (descontando, evidentemente, as vítimas do PREC - mas as vítimas à grande escala, felizmente, foram evitadas). E por isso Salazar é mais mau que Cunhal ou Vasco Gonçalves.
O mesmo se dá quanto às tarifas que a UE impõe sobre textil e calçado chinês: enquanto todos vêem os beneficiados (indústria e trabalhadores europeus da área), ninguém vê os prejudicados (aqueles que seriam alvo do dinheiro-extra que o europeu gastaria por comprar sapatos e roupa mais barata).
André Azevedo Alves, concorda com Vital Moreira que as praxes académicas deviam ser proibidas, não dizendo porquê. Hélder, também co-autor no Insurgente, explica que a praxe «é uma bestialidade, uma estupidez e não serve para nada».
Passando por cima da generalização, de ver certas, medáticas, práticas como representativas de toda praxe, e sem querer entrar em disussões filosóficas sobre a mesma, apraz-me o seguinte:
A IURD (a propósito da reportagem na Única) também é um bestialidade e uma estupidez que não serve para nada, do meu ponto de vista. Idem muitos cursos universitários. Idem muitos programas de televisão.
Ainda assim, não penso que caiba ao Estado proibir qualquer destes exemplos. Tratam-se claramente de manifestações de liberdade: só é da IURD quem quer, só estuda "Engenharia Têxtil", só vê o "Fiel ou Infiel" quem quer. E só entra no mundo das praxes quem quer. As direcções das universidades podem, e devem, estar atentas a que seja sempre claro o carácter voluntário das mesmas, e que não haja violência, contra-vontade, de qualquer tipo. Mas acharia muito infeliz proibir por proibir. Porque há quem ache que "a praxe é uma estupidez". Onde acabaria a proibição das estupidezes?
Que se controlem e sancionem os abusos. Mas se há quem ache graça a andar com a cara pintada e com orelhas de burro, o que é a meu ver uma estupidez, que o faça e que seja muito feliz com isso.
Acaba o primeiro acto da "Rivolição". Certamente se seguirão mais "formas originais de protesto", mais barulho e mais tempo de antena.
Luta-se contra a "privatização" do espaço - quando o que está em causa é a adjudicação da exploração por quatro anos. Luta-se pelo serviço público - quando o serviço instalado nem público tem. Luta-se pela educação do público - na lógica de que só os iluminado Lordes da Cultura sabem o que é bom para o povinho, coitadinho. E nesta luta, é óbvio, não se olha a meios. A «atitude [dos ocupantes] mostrou ser plenamente legitimada num contexto que os agentes culturais não dispõem de grandes meios para reivindicar» A velha cantiga das causas fundamentais e para quais a legalidade não se aplica. Mas não fiquemos por aqui. Além de reclamarem que se lhes pague a actividade profissional, independentemente de o público que a visite, reclamavam também que o protesto ilegal tivesse condições. Porque isto de a Câmara cortar a água e a luz é que mostra o fascista que o Rio é, malvado! E ai dos "terroristas" que fizeram ver que a ocupação estava a perturbar o normal funcionamento do teatro. Chantageadores malvados, terroristas intelectuais!
A questão de fundo acaba esquecida. Mas vale a pena repeti-la, para discutir sem demagogias:
A quem cabe a gestão do Teatro? À CMP.
Pode ou não a CMP contratar uma empresa externa para o fazer? Não se vê porque não, visto até que tal contratação não interfirirá na política que um futuro executio queira ter: um contrato acaba um ano após as próximas eleições.
A Câmara demite-se da sua "obrigação" de promover a Cultura ao adjudicar a gestão do Teatro? (Primeiro não vejo porque há de a Câmara de ter essa obrigação, se as populações quiserem Cultura, naturalmente aparece alguém a oferecer o serviço, mas adiante) Claro que não. As pessoas também têm direito a comer, e o Estado não anda para aí a gerir padarias. Aliás, devia privatizar as escolas, p.ex., para se livrar do peso da administração das mesmas e patrocinar aqueles que não tivessem dinheiro para as frequentar.
Tem o Rivoli de "dar lucro"? Eu acho que não deve dar prejuízo. Vejamos: se não for rentável quem paga o deficit somos nós, com os impostos. E pagamos para quê? Para que companhias de teatro representem coisas que ninguém vai ver? Eu acho mal. Não é um burocrata qualquer que deve decidir qual o espetáculo de qualidade e qual não, deve ser o público. Porque não é o burocrata que paga o teatro. Somos todos nós. Por isso devemos ser nós a decidir o que é bom e o que não é. Acho politicamente muito infeliz impôr uma política cultural às nossas bolsas.
Deixem ver o que vai daí. Daqui a quatro anos fazer-se-á o balanço do contrato. E veja-se que ele é muito exigente… Quem o ganhar «fica obrigada a programar 300 dias por ano de espectáculos, entre as quais duas grandes produções, um mínimo de quatro produções experimentais, espectáculos para crianças de acordo com o curriculum escolar, acções de formação nas artes performativas, oferta de bilhetes para escolas e instituições da autarquia e recrutamento de pessoal oriundo da área metropolitana do Porto.»
E parece-me que se o Rivoli se tornar mais parecido com o Coliseu, esse sim privado e gerido com vista ao público que atrai, o Porto sairá mais rico.
ADENDA: Vale a pena ler o que dizem sobre isto, João Miranda, Carlos Furtado (não obstante, ao lado termos as confusões de MMPinto), Pacheco Pereira e já agora, uma opinão de esquerda.
Eu, portuense, me confesso: O Rivoli só é de todos, se quem o administrar tiver critérios de escolha racionais e não os subjectivos que tem tido. É claro que isso é mau para quem lá habitualmente encena. Mas temos que olhar para a questão com as consequências para todos, e não para um grupo em particular. Ora, se os habituées perdem, já o cidadão em geral, ganha. Ganha porque os critérios de mercado obrigam a que a sala se encha mais vezes, logo obriga o novo explorador a trazer espetáculos que o façam para o Porto e para o Rivoli. Ganha porque o dinheiro que a câmara gasta a administrar o Rivoli, passa a poder ser usado noutras áreas.
Mas, dizem, a cultura de massas é abjecta, é Fernando Mendes, é Pimba e sei lá mais o quê.
E a cultura dos subsídios? É o quê? É salas vazias, é cultura pseudo-alternativa, decidida por sabe Deus quem, com sabe Deus que critérios.
O critério mais justo é o de deixar o utente decidir. Assim se faça!
[Os "entricheirados" exigem garantias de que o Rivoli mantenha o "serviço público". O problema é que para eles, serviço público não é o que tem mais público, mas o que lhes dá mais tacho. Compare-se apenas o site do Rivoli com o do Coliseu, para ter uma ideia do que se está a tratar.]
No próximo dia 13 de Outubro, pelas 20h, no Hotel Meridien do Porto a FEP - Faculdade de Economia da Universidade do Porto realiza um jantar-palestra sobre “O MODELO SOCIAL EUROPEU”, sendo o convidado o Prof. PEDRO ARROJA.
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Ficamos a saber várias coisas: o bloco preocupa-se com o que aconteceu. Muito bem. Quer saber as "condições operacionais" em que tomou lugar os acontecimentos recentes com disparos da GNR. Não se sabe muito bem o que querem dizer com isso, mas enfim. Depois acham estranho que os agentes disparem mesmo quando a sua vida não está em perigo. O que é muito razoável, principalmente se virmos que os delinquentes (pequenos, sei lá) puseram em perigo a vida de todos que se cruzassem com eles, ao passarem sinais vermelhos, sentidos proibidos, etc. Depois, veja-se a subtileza ao afirmarem que os acontecimentos terminaram com disparos mortais. Daqui a ficarmos com a impressão de que se atirou para matar é um… tirinho.
Na minha opinião: voz de paragem da polícia, é voz de paragem. Devemos obedecer (senão for assim, aonde nos leva isso?). Fugir da polícia, e desautorizar a força que protege todos os cidadãos, pondo, além de mais, em risco a vida de outrém, é caso suficiente para que a polícia tente impedir que a situação leve a consequências mais gravosas. Se depois de certos avisos o infractor não parar, meu amigo, dispare-se sobre ele tentando que pare (também não venham dizer que o jovem foi propositadamente atingido na cabeça; em andamento nem o Rambo lhe acertava). Por fim parece-me, a bem da segurança púiblica, que as forças policiais estejam livres da pressão social para agirem de acordo com o que determinada situação possa exigir. O que não quer dizer, evidentemente, que não se manifeste procupações sobre isto ou aquilo. Nomeadamente sobre se a GNR treina este tipo de situações (preseguições automóveis) de forma satisfatória.
Last but not least, de assinalar que os que querem a protecção do Estado para tudo e mais alguma coisa, a vêm contestar quando se trata da polícia. Já eu lido bem com esta autoridade.
Sobre o mais recente programa da RTP, leia "Os Grandes Portugueses". (via Insurgente)
É evidente que a não inclusão de Salazar ou Caetano, favorecendo Cunhal ou Vasco Gonçalves, nas ‘propostas’ da RTP tem um pendor ideológico…
Só um reparo. Ao contrário do que nos diz o Manuel Câmara, a lista alemã é liderada por, nem podia ser de outra maneira, Adenauer. A seguir Lutero, e só depois Marx. (conferir)
Os jogos online são uma farpa no dedo de muitos governos. Cá, por exemplo, vemos a defesa aguerrida do monopólio da ‘Santa’ Casa da Misericórdia, defesa que chega a um extremo de proibir que se publicite outras formas de jogo. Defesa aliás, compreensivelmente, apoiada pela mesma Santa Casa e a Associção Portuguesa de Casino (outros, terão razões mais castas…).
Mas a questão ultrapassa mesmo o Atlântico. Em terras americana também se combate o jogo online, com expedientes curiosos, mas nem por isso menos moralistas e aguerridos.
Continuar a ler…Após ‘ler’ este post, que saúdo e recomendo, fui procurar no YouTube, e encontrei várias pérolas que não posso deixar de partilhar com os leitores.
Vídeos:
Sessão de dinamização cultural no Alentejo em 1974. Resposta à pergunta: "o que é um latifúndio?"
"Diálogo" na sequência da ocupação de uma empresa após a revolução de Abril de 1974.
A Junta de Salvação Nacional inicia contactos para a formação do 1.º Governo Provisório.
Otelo Saraiva de Carvalho, comandante do COPCON, promovido a Brigadeiro.
Debate televisivo entre os Secretários-Gerais do Partido Comunista e do Partido Socialista em 1976.
Ocupação de terras no Alentejo após a revolução de Abril de 1974.
Discussão sobre o regime do divórcio após a revolução de Abril de 1974.
Enfim, vários cenários e vertentes do PREC, que ajudam a tentar perceber esse tempo, pelo menos a quem, como eu, não o viveu. E apesar de tudo, dá vontade de o ter vivido. Defender a liberdade nesse tempo é que era de Homem!Nobre Guedes, há instantes na Grande Entrevista: "Não acho que se deva baixar os impostos."
Se virem por aí muitos artistas desempregados não asssutem, a causa poderá estar aqui:
Quem paga a multa e sustenta o sistema de quotas? O consumidor final: Paga a multa no caso dos produtores que excedem a quota, e paga o sistema de quotas porque o preço do bem é mais alto porque há menos oferta.
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