A fúria moralista
Os jogos online são uma farpa no dedo de muitos governos. Cá, por exemplo, vemos a defesa aguerrida do monopólio da ‘Santa’ Casa da Misericórdia, defesa que chega a um extremo de proibir que se publicite outras formas de jogo. Defesa aliás, compreensivelmente, apoiada pela mesma Santa Casa e a Associção Portuguesa de Casino (outros, terão razões mais castas…).
Mas a questão ultrapassa mesmo o Atlântico. Em terras americana também se combate o jogo online, com expedientes curiosos, mas nem por isso menos moralistas e aguerridos.
On September 30th Congress rushed through a bill to stop banks and credit-card companies from processing payments to online gambling companies.
Efeito? PartyGaming, which generates nearly 80% of its revenue from America, said it would suspend gambling for Americans. Its shares tumbled by almost 60% overnight.
Mas, como sempre em Economia, nem tudo é o que parece. Por exemplo:
Even America’s casinos, which long campaigned for the prohibition of online gambling for fear it would cannibalise their business, have begun to lean towards legalisation because they see attempts at prohibition as futile. Many now think that online offerings may help them attract customers. That realisation seems to be reflected in the valuations of American casinos: a group of private equity investors is offering just over $15 billion to buy Harrah’s, the world’s largest casino operator.
Vejamos: há alguém a oferecer um serviço. Há alguém que quer usufruir desse serviço. Nenhuma dessas presmissas prejudica terceiros. Ademais gera riqueza. Depois começa o barulho: alguém acha mal, acha que os nossos actores, ou um deles, ou um terceiro, está a ser manipulado, prejudicado, sabe-se lá. Junte-se um cheirinho de amoralidade na transacção e podem libertar o bicho regulador. Ele saberá como evitar que as pessoas se prejudiquem (nem que o queiram, não podem, vejam bem!), e assim todos serão felizes. Um dia - esperem por isso, anseiem - um dia vamos ter um mundo em que eles vão conseguir impedir que as crianças caiam ao chão, vão impedir que as pessoas se apaixonem por quem não lhes retribui e vão impedir que compremos coisas que são, verdadeiramente inúteis. Até lá vamos ter que ir vivendo assim…
Curioso é quando as coisas não correm exactamente como deviam.
One of the more ironic consequences of the new law is that it may have made British-based online gambling companies vulnerable to takeover by America’s casino groups. Not only have the firms’ share prices fallen heavily, but their withdrawal from the United States has legitimised them as prey to American operators seeking to quickly obtain online expertise and knowledge of overseas markets.
If such acquisitions come to pass, it seems more than likely that American online gambling firms would begin to lobby American politicians to legalise online gambling. Thus, America’s prohibition may ultimately have the unexpected consequence of moving the country one step closer to legalising online gambling.
Filthy bastards!

