À Vontade do Freguês






10 October, 2006

Já faltava

O Bloco de Esquerda (BE) requereu hoje a presença urgente do ministro da Administração Interna, António Costa, no Parlamento, para explicar as “condições operacionais” em que a GNR disparou recentemente contra viaturas em fuga, causando um morto.

“Torna-se difícil compreender como é que, no curto espaço de cinco dias, duas perseguições policiais, envolvendo pequenos delitos – e sem que pareça que os fugitivos tivessem colocado a vida dos agentes em perigo –, terminam com disparos mortais ou que incapacitam seriamente as condições de vida dos atingidos”, justifica o Bloco de Esquerda.

 

Ficamos a saber várias coisas: o bloco preocupa-se com o que aconteceu. Muito bem. Quer saber as "condições operacionais" em que tomou lugar os acontecimentos recentes com disparos da GNR. Não se sabe muito bem o que querem dizer com isso, mas enfim. Depois acham estranho que os agentes disparem mesmo quando a sua vida não está em perigo. O que é muito razoável, principalmente se virmos que os delinquentes (pequenos, sei lá) puseram em perigo a vida de todos que se cruzassem com eles, ao passarem sinais vermelhos, sentidos proibidos, etc. Depois, veja-se a subtileza ao afirmarem que os acontecimentos terminaram com disparos mortais. Daqui a ficarmos com a impressão de que se atirou para matar é um… tirinho.

Na minha opinião: voz de paragem da polícia, é voz de paragem. Devemos obedecer (senão for assim, aonde nos leva isso?). Fugir da polícia, e desautorizar a força que protege todos os cidadãos, pondo, além de mais, em risco a vida de outrém, é caso suficiente para que a polícia tente impedir que a situação leve a consequências mais gravosas. Se depois de certos avisos o infractor não parar, meu amigo, dispare-se sobre ele tentando que pare (também não venham dizer que o jovem foi propositadamente atingido na cabeça; em andamento nem o Rambo lhe acertava). Por fim parece-me, a bem da segurança púiblica, que as forças policiais estejam livres da pressão social para agirem de acordo com o que determinada situação possa exigir. O que não quer dizer, evidentemente, que não se manifeste procupações sobre isto ou aquilo. Nomeadamente sobre se a GNR treina este tipo de situações (preseguições automóveis) de forma satisfatória.

Last but not least, de assinalar que os que querem a protecção do Estado para tudo e mais alguma coisa, a vêm contestar quando se trata da polícia. Já eu lido bem com esta autoridade.


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