Proibir, porquê?
André Azevedo Alves, concorda com Vital Moreira que as praxes académicas deviam ser proibidas, não dizendo porquê. Hélder, também co-autor no Insurgente, explica que a praxe «é uma bestialidade, uma estupidez e não serve para nada».
Passando por cima da generalização, de ver certas, medáticas, práticas como representativas de toda praxe, e sem querer entrar em disussões filosóficas sobre a mesma, apraz-me o seguinte:
A IURD (a propósito da reportagem na Única) também é um bestialidade e uma estupidez que não serve para nada, do meu ponto de vista. Idem muitos cursos universitários. Idem muitos programas de televisão.
Ainda assim, não penso que caiba ao Estado proibir qualquer destes exemplos. Tratam-se claramente de manifestações de liberdade: só é da IURD quem quer, só estuda "Engenharia Têxtil", só vê o "Fiel ou Infiel" quem quer. E só entra no mundo das praxes quem quer. As direcções das universidades podem, e devem, estar atentas a que seja sempre claro o carácter voluntário das mesmas, e que não haja violência, contra-vontade, de qualquer tipo. Mas acharia muito infeliz proibir por proibir. Porque há quem ache que "a praxe é uma estupidez". Onde acabaria a proibição das estupidezes?
Que se controlem e sancionem os abusos. Mas se há quem ache graça a andar com a cara pintada e com orelhas de burro, o que é a meu ver uma estupidez, que o faça e que seja muito feliz com isso.


Fui caloiro praxado duas vezes. Fiz parte de duas tunas, e em ambas fui praxado. Fiz parte de um grupo académico de praxe, para o qual também fui praxado. Nunca fiz nada obrigado e diverti-me sempre.
Praxei, cheguei a ter uma desconfortável posição de força sobre a praxe da Fac. de Ciências do Porto, e nunca permiti que se “convencesse” fosse quem fosse à praxe, nem que se envolvesse dinheiro, sexo ou álcool numa praxe (o álcool vinha depois). Por isso fico triste quando me dizem que os praxistas são umas bestas, porque me atinge directamente. E fico fulo quando vejo que ainda por aí andam muitos idiotas a dar mau nome à praxe, aplicando-a sem regra nem moral.
Estou agora numa outra universidade, no estrangeiro, onde não se praxa. Sinto-lhe a falta, porque estou aqui há mais de dois meses e quase não conheço quase ninguém e sinto-me muito pouco integrado. Este é só um dos propósitos da praxe. Existem outros. Este é um dos mais evidentes.
Comment by Gonçalinho — 23 October, 2006 @ 20:42