A questão dos próximos meses…
Quem viu o debate de ontem - ou outros afins - sabe que o que deveriam ser abortados eram justamente esses debates. Principalmente os moderados por Fátima Campos Ferreira. Aliás, a abstenção registada no último referendo só demonstra que muita gente teme tomar um dos lados. Muito por culpa de quem já lá está, a ocupar as barricadas…
Eu sou contra o referendo. Não me parece que se possa referendar uma questão que para mim é de vida ou morte. Claro que após ter já havido um referendo a questão só pode voltar a ser abordada dessa forma. Além disso, o PS sabe bem que não ganhava eleições se defendesse a alteração da lei por via parlamentar. O PS só faz disto um assunto de refendo por questões políticas: quer ganhar pontos com a vitória do sim, sem perder eleitores no campo do não. E é por isso que o Sim vai ter tudo e todos do seu lado (já não bastava o BE com as Joanas Amaral Dias, as Anas Sá Lopes e as São Josés Almeida todas…).
Ainda assim tenho, já o disse, uma opinião, que terei todo o prazer de partilhar. Acho que a lei devia ficar como está. Porque me aprece estar certo. (Bem sei que é raro, nos dias que correm, as pessoas fazerem o que fazem por acharem que está certo, mas adiante.)
Está certo que uma criança, quando concebida, possa nascer sem poder ser abortada a bel-prazer da mãe que a concebeu.
Está errado que alguém possa ser dono da vida de outrém.
Está certo que o pai seja responsável pela mesma criança, e que não exija da mãe que aborte para se ver livre do "problema" - o que sem dúvida acontecerá se o aborto for legalizado.
Está certo que a Sociedade proteja os mais fracos e os que não se podem proteger.
Está errado achar que a mãe deve ser livre de abortar porque é dona do seu corpo. É o sem dúvida, mas começa a ter responsabilidade a partir do momento em que outra vida nasce dentro dela. Se assim não fosse, porque não permitir o aborto aos oito meses?
Está certo que haja pena para quem aborta, pois está a cometer um crime. O juíz decidirá se há atenuantes ou não. A nova lei não discriminalizaria o aborto às dez semanas a meia!
Está errado estabelecer uma espécie de "prazo de ponderação" durante o qual a gravidez é abortável. Porquê as dez semanas e não um bocadinho mais, ou um bocadinho menos? Não é a concepção momento em que tudo começa? O que é diferente a partir de dez semanas e um dia?
Está certo não impôr a sua moral a mais ninguém. Mas não matar vida humana é assim tão pessoal? Não é um valor da sociedade como tal?
Está errado que no Séc. XXI, com tanta informação e tanto Estado, o mesmo passe a patrocinar abortos em hospitais públicos, ao invés de patrocinar esclarecimento e educação - ou não patrocinar nada, na verdade.
Está errado que o pai não seja tido nem achado no destino do seu filho - e já tantas vezes o é uma vez nascida a criança.
Por fim que fazer a quem continue a abortar no vão de escada? Porque a elite de esquerda, já se sabe, acha que por decreto se mudam as mentalidades. Mas e quem continuar a ir à curiosa? Continua a ser ilegal, a própria pergunta o diz… Não continuarão essas mulheres a ser humilhadas, etc, por uma "escolha" que tomam?
Por essas e por outras acho que a lei deve ficar como está, o aborto deve continuar a ser crime, e as pessoas devem ser responsabilizadas pelas suas acções. Se temos dúvidas se a vida começa a dez, 12, 18 ou 24 semanas, então não deveríamos - por via das dúvidas - fixar-nos na data que não oferece dúvidas? A data em que um homem e uma mulher livremente se juntaram para conceber uma vida nova.

