À Vontade do Freguês






9 November, 2006

Afinal…

Há momentos escrevi aqui do que disse Pedro Duarte, e só agora vi que se trata duma entrevista. Está publicada hoje no JN e é bastante mais grave do que adivinhava. Basta ver que termina com a segunte pergunta, e respectiva resposta:

Se hoje houvesse eleições, e teria de ser feita essa avaliação, Rio seria candidato?

Objectivamente, hoje não. Foi feito apenas um ano de mandato e aquilo que todos esperamos e em que estamos empenhados é que os próximos três anos possam significar algo de diferente para melhor. Espero que daqui a três anos não esteja no ponto que está hoje.

Está visto o que dizia acerca do PSD: à falta de controlo sobre as instituições, retirados os subsídios; o PSD soma o problema eleitoral e o medo de criar rupturas. E assim o PSD não vai a lado nenhum. Porque Duarte, propõe um PSD igual ao PS, mas com outras pessoas:

O Porto tem que se afirmar enquanto cidade com uma fortísima dinâmica cultural. Essa deve ser uma das prioridades da Câmara. (…) Quando elegemos esta Câmara, foi também para saber distinguir entre bons e maus projectos. (…) Não concordo com o corte prévio sem se conhecerem os projectos. Admito que, analisando os projectos ,caso a caso, muitos não devam ser apoiados e sejam, como diz o presidente, um desperdicio público. (…) Mas o que me preocupa é que determinado tipo de polémicas e controvérsias possam dar uma imagem da cidade que a iniba de dar o salto que defendo.

Ou seja, diferenças entre PS e PSD, nicles. Só nos actores e, possivelmente, no "salto que defendem". De resto:

*há bons e maus projectos, é preciso é só subsidiar os bons, sejá lá quais forem os critérios.
*a Cultura deve ser uma prioridade da Câmara
*há um caminho que a cidade deve trilhar, e há uns iluminados que o conhecem
*a Câmara deve dar subsídios

Eu votei em Rio, e não estou arrependido. Felizmente nunca votei no PSD.


Intervenções

Quando se complicam as coisas, dá para o torto. E na Economia, não é preciso muito para complicar. O facto de a Economia ser um sistema dinâmico, em que os actores se comportam como querem e não como alguém possa prever, leva a que imposições "de cima" tendam a não produzir os efeitos desejados.

É por isso que sou contra a interferência do Estado na Economia - e na vida pessoal dos seus actores, já agora.

Vai se percebendo isso noutros quadrantes ideológicos. Há dias, JPH, no Glória Fácil, propôs algo de "simples": obrigar as empresas, com mais de 100 empregados, a terem uma creche, com um determinado horário, pois tem a «impressão que são equipamentos que jogam a favor de aumentos na produtividade».

Depois de algum debate blogosfera fora - destaco o comentário de João Caetano Dias - JPH muda um bocado a sua proposta. No fundo percebeu que as coisas não são assim tão fáceis de orquestrar (quem paga?, quantos empregados deve ter a empresa?, que horário?). Assim, refaz a sua proposta. Vale a pena citar:

«1. As empresas são obrigadas a dispor de creches e ATL para os filhos dos seus empregados.

2. Os trabalhadores pagam por esse serviço de modo a que ele não dê prejuizo. A actualização das mensalidades será estabelecida em função das actualizações salariais.

3. A qualidade dos serviços é fiscalizada pelos serviços competentes do Estado.»

E bingo, acaba de criar mais um imposto para quem tem filhos: pagar a Creche da sua empresa, sem poder escolher a melhor do mercado.

Prevê-se a próxima evolução: só usa essa creche o trabalhador que quer… Isto é, só existe a Creche onde os trabalhadores querem. O que leva a uma questão: quem quererá abrir uma Creche numa empresa sem saber se ano após ano terá clientes, i.e. financiamento? E é ou não a empresa obrigada a abrir essa Creche? Afinal, a lei não serviria para nada, porque não era mais do que algo, que não deve precisar de lei alguma: a liberdade das pessoas se juntarem para criarem o prestador de serviço que queiram…

Acho que JPH vai acabar como Pierre Menard, autor do Quixote, que publicou um «Um artigo técnico sobre a possibilidade de enriquecer o xadrez eliminando um dos peões de torre. Menard propõe, recomenda, discute e acaba por rejeitar esta inovação.»(in Jorge Luís Borges, Ficções)


Agenda

Caros leitores,

este vosso servo estará na segunda-feira, pelas 11:30 na Escola Secundária Clara de Resende, aqui na Invicta, para partilhar a sua experiência sobre o processo de Bolonha com a canalha do secundário. 


Rio, mais uma vez

Há pouco, numa banca de jornais, li que o presidente do PSD-Porto, Pedro Duarte, estava contra a decisão de Rio de acabar com os subsídios. Até porque os subsídios deixam de ser atribuídos "antes de se conhecerem os projectos". Prefere Pedro Duarte, subentende-se, uma decisão casuística.

Eis o busílis da questão.

Pode ou deve ser o Estado, i.e., neste caso, burocratas, tecnocratas e autarcas a decidir quem é válido de apoio da parte do Estado e quem não? Que projecto cultural, desportivo ou afim pode receber a injecção de que necessita para ver a luz do dia? Não sendo possível estabelecer critérios objectivos, a resposta deve ser: não.

Por muitas razões, a começar pelo facxo de eu preferir que me devolvam os meus impostos para eu gastar na Cultura, no Desporto ou afim que quiser!

Claro que para o PSD, é mais importante manter as instituições de rédea curta, dependentes e gratas du subsidiozinho… E claro que o PCP, como diz o João, tem medo de que passe o povo a ser o decisor de quais projectos são viáveis e quais não.

Mais uma vez, são os efeitos invisíveis os mais importantes: é que as instituições que passam a inviáveis pelo corte de subsídios, todos vêem. Mas e todas as que nunca nasceram porque o mercado estava saturado pelos preferidos da Câmara? Essas poderão, enfim, tentar a sua sorte


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