À Vontade do Freguês






24 November, 2006

Mas eu gosto de Portugal!

Dá alegria ver um país a assumir o que é preciso para sair da merda. É que desenvolvimento sustentável é muito lindo, mas só se fala de Flora e Fauna - biosfera, portanto… E a Antroposfera? E nós? Ninguém se preocupa com o meu futuro?

Se fosse Canadiano, podia ser que sim. Pelo menos parece:

OTTAWA, Nov 23 (Reuters) - Canada vowed on Thursday to eliminate total government net debt in less than a generation, as it speeds up the reduction of the federal debt as a percentage of gross domestic product.

In an economic and fiscal update, the minority Conservative government also said it would apply any unanticipated budget surpluses to debt reduction, and would lower taxes on savings, capital gains and personal income.

"We want to lift that heavy weight off the shoulders of the next generation of Canadians," Finance Minister Jim Flaherty told Parliament’s finance committee.

Parece haver sinceras preocupações com os Canadianos que ainda não votam. Além disso, o combate ao défice não é um fim em si mesmo:

Ottawa said it would continue to plan for an annual debt reduction of C$3 billion ($2.6 billion) and would use unanticipated surpluses to speed up cuts in debts and income taxes. It also promised to lower taxes on savings, including capital gains.

Cá? O défice é algo de abstracto: saia-se de pacto de estabilidade, para se poder financiar tudo à custa de dívida pública. Que esse dinheiro é exactamente o mesmo que sai dos bolsos dos cidadãos quando o Estado estica o braço para a colecta é esquecido… Que entretanto se perderam milhões na máquina do Estado será um efeito secundário necessário. Que escolhas erradas e imprudentes hoje, que até produzem lindos efeitos a curto prazo, vão onerar as futuras gerações; logo se vê…

Pois basta! Estou farto. Vai me cair no bolso a factura da Ota, do TGV, da Segurança Social, das quotas do leite, dos subsídios à agricultura, do salário mínimo, do Serviço Nacional de Saúde,das SCUT e de demais disparates. E sabem que mais? Não quero. Paguem vocês, barões de Abril, guardiões da liberdade e das escolhas dos outros.

Meus amigos da geração do pós-Abril, armem-se e defendam o vosso futuro.


2 Comments »

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  1. Caro Micha,
    Parabéns pelo teu blog. É a primeira vez que o visito, mas impressiona-me pela sua estética e, claro, pelo conteúdo.
    E no que aí toca, permite-me deixar no teu espaço esta pequena nota:
    a factura geracional de que falas, assertivamente, de resto, é algo que está plantado no nosso sistema político democrático pós-revolucionário. Ou seja, a massa “crítica” da esquerda barbuda e bigodesca (imagem pictórica da geração Maio 68), da noite para o dia viu-se a braços com aquilo que reclamava, mas para a qual sabia ser científica e tecnicamente inábil, isto é, com o exercício do poder. Pior: lançou mão de desestrurar o país economica, legislativa, executiva e socialmente, com apelo a uma teoria marxista-socialista que “atirou” como lastro para as páginas da nossa Constituição.
    A este ponto queria chegar: a nossa geração encontra-se directamente condicionada, porque afinal a Constituição é ainda o nosso diploma fundamental e não o Tratadode Nice, pelo texto fundamental e último do nosso sistema legislativo. Ora, não é possível falarmos na factura geracional, sem falarmos da razão da sua existência, a elaboração da conta. A Constituição da República portuguesa é, em 2006, um programa político socialista, no fundamental com mais de dois séculos de existência.
    A acrescer ao problema da Constituição, existe uma segunda questão de substância condicionante: o entendimento português da Europa Comunitária em que nos integramos e a forma de afirmação identitária dos nossos valores cristãos, cujo vértice superior é encimado pela Vida.
    Mas este tema poderemos concerteza abordá-lo na nossa próxima conversa.
    Mais uma vez, parabéns pelo excelente Blog! e um abraço

    Comment by Helder — 24 November, 2006 @ 14:23

  2. Obrigado Hélder!
    Tens toda a razão, a Constituição é um obstáculo fundamental para a nossa libertação. Todos os “direitos adquiridos” que nos impedem a nós de adquirir o que quer que seja, destroem a nossa geração.

    Comment by ms — 24 November, 2006 @ 16:33

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