TV
Volta e meia, até por esta polémica da ERC, vê-se quem diga que o espectador tem de ser protegido, coitadinho, porque as TVs são más e não dão a programação a tempo e horas, ou só dão porcaria e os intervalos são muito compridos. Ora eu concordo plenamente: as TVs são más, não dão a programação a tempo e horas, só dão porcaria e os intervalos são muito compridos. Concordo com isso tudo. Mas discordo que seja o governo ou a AR a interferir no mercado da televisão, obrigando isto ou aquilo "a bem do espectador".
Primeiro porque o espectador não é "o" espectador. São, potencialmente, dez milhões. E se o que me agrada mim desagrada ao meu irmão, ou à minha mãe, que fará a todos os outros. Qualquer intervenção com regras artificiais seria sempre a favor duma visão do que deve ser TV. E sabemos que essas visões têm tendência a não servir ninguém. Porque, por exemplo, se fixarmos um máximo de tempo de publicidade por dia vamos ver desparacer receitas, e com elas os investimentos das estações. Adeus House e CSI…
Obrigando as TVs a fixar a programação com 48 horas de antecedência, carecendo da boa-vontade de não sei quem a alteração à mesma, leva-nos a um controlo abusivo por parte do Estado/regulador na mesma programação. Depois acontece cair o governo e o mesmo obrigar a que se mantenha as Floribellas e os Preços Certos no ar para gerir a crise… E não me venham com um organismo independente que isso não existe porque depende sempre da confiança de quem lhe paga…
Voltamos pois ao mercado: se no panorama actual as TVs não tomam medidas destas por vontade própria não é obrigação do Estado, a bem de todos, impôr um mínimo de respeito?
Não. O estado devia era criar mercado, e abrir umas frequências terrestres para mais quem quisesse entrar no mercado, por forma a criar mais alternativas. Claro que Pinto Balsemão e Paes do Amaral sabem explicar muito bem porque é que isso não pode ser.

