Lisberais de trazer por casa?
O CAA explica aqui que acha que andam a tentar vender uma versão meia esdrúxula de liberalismo travestido em ridículas roupagens de sobrenatural.As razões seriam meros intuitos de poder e, não o esqueçamos, [a tentativa] de melhorar os índices de sociabilidade dos seus protagonistas.
Longe de me entender um intelectual do liberalismo, mas ainda assim contando me desse lado da bússola poítica, não posso deixar de discordar, se - e é o que parece - esta "teoria" vem na senda de tentar explicar a defesa de alguns liberais do Não no passado referendo. Até porque eu próprio defendi o Não.
[Nunca é demais dizê-lo: dizer Não neste referendo não era, para mim, a imposição da concepção moral de uns poucos a outros. Era, e continua a ser, entender que no acto de abortar existe uma agressão a um ser humano e que por isso o aborto só pode ser autorizado quando indicação médica. Enfim, adiante.]
A ideia de que alguns liberais alinharam pelo Não para estarem perto da Igreja Católica, e daí retirarem dividendo políticos parece-me disparatada, desde logo, pelos números: todos indicavam que o Sim ia ganhar. Isto era como se uma pessoa duma facção minoritária virasse apoiante de Mário Soares para estar do lado dos vencedores, sabendo já que só Alegre garantia a passagem à 2ª volta - se bem que isto lembra a Joana Amaral Dias…
Admito que haja liberais católicos (e eu não sou), e admito que sejam "tão bons liberais" como os não-católicos. A fúria ateia de uns, que querem marcar toda a gente que acredita em dada religião como reacionária ou anti-liberal, parece-me disparatada. Nós somos o que fazemos, não o que acreditamos.

