À Vontade do Freguês






14 February, 2007

Grandes Portugueses

Ontem assisti ao programa de Jaime Nogueira Pinto sobre Salazar. Foi aliás o primeiro destes documentário que vi (gostava de ter visto o sobre Álvaro Cunhal).

Nunca fui um admirador de Salazar, mas na prática também nunca fui detractor. Acho que as pessoas devem ser avaliadas à luz do seu tempo, e o homem, a seu tempo, foi o melhor que o país produziu. Prova disso é que, depois do caos da Primeira  República, aguentou o país durante 40 anos - sem eleições, claro está. O que é, evidentemente, intolerável para quem não sabe senão viver em liberdade; como eu. Mas a verdade é que se impunha um autoritarismo no fim dos anos 20. Na Europa ocidental, só a Inglaterra lhe escapou. E, convenhamos: de todos os regimes autoritários dessa Europa, o nosso foi "o melhor". Senão vejamos: não teve guerra na sua origem nem no seu ocaso*, não foi acompanhado por corrupção ou enriquecimento ilícito dos artistas do regime, teve um assinalável crescimento económico e de salários, passou ao lado de purgas e saneamentos; enfim, destacou-se de Hitler, Estaline, Mussolini, Franco, demais comunistas e fascistas, com alguma originalidade.

Claro que a perseguição política vigente era significativa, e hoje é nos óbvio que o Estado tem mais é que estar calado quando às nossas opções pessoais, políticas e religiosas. Mas também não foi o fim do Estado Novo que nos trouxe essas liberdades, foram precisos uns meses para dar cabo dos que nos queria levar por outros caminhos. Nessa perspectiva Salazar foi se calhar bem melhor que a alternativa possível.

Ironia das ironias, para quem agora vocifera contra o ditador, o Estado Novo só acabaria por cair sob si mesmo, num golpe de Estado, e não numa revolução do povo… O que prova que, mal, este povo às vezes prefere a autoridade à liberdade.

 

*A guerra colonial não foi travada para pôr Salazar no poder, nem para o tirar de lá 


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