Salazar ontem deu coço. Kicked ass, como se costuma dizer. Nada de novo, na verdade.
Prefiria que tivesse ganho outra pessoa. D. João II ou o Marquês, por exemplo, mas não me surpreendo com Salazar. Nos outros países em que houve este concurso, ganhou sempre um estadista do séc. XX (Adenauer, De Gaulle, Reagan, Churchill). Ora Portugal, no séc. XX só teve um estadista. Botas Salazar.
Ademais, adivinhava-se um confronto directo com Cunhal. Ora Salazar, sempre ganharia a Cunhal. Acredito piamente que se houvesse umas eleições em que houvesse dois candidatos, a primeiro-ministro, p.ex., Salazar ganharia sempre a Cunhal. Caramba, Cunhal em todos os anos de "resistência anti-fascista, com o PCP, nuca fez cócegas a Salazar… E o português não quer comunistas, já lá vamos em trinta e tal anos de democracia e o povo continua a não estar preparado. (Se, a bem da discussão, o cenário acima enunciado fosse possível, eu votava Salazar. Ou ia para a Alemanha, não sei. Mas antes Estado Novo que ditadura comunista.) Mas para o bem e para o mal: Salazar arregimenta mais votos que o PCP, numa votação telefónica.
Acaba por não ser nada mau o terceiro lugar de Aristides. Se descontarmos Salazar e Cunhal com sindicatos de votos, os portugueses põem Aristides à frente de D. Afonso Henriques. Isso parece-me refrescante. É que D. Afonso representava aquele voto de compromisso: é o maior, primeiro rei, deu porrada na mãe e nos mouros, etc. Já Aristides mereceu o destaque no programa (era o único candidato a quem não apontaria nada de negativo) e saúdo o terceiro lugar.
Uma nota para a péssima realização. Não sei se foi o nervosismo por participarem no branqueamento do fascismo (que, Odete não tardou em lembrar, é proibido pela Constituição! Tomai lá!), se que foi, mas Maria Elisa e Daniel Oliveira estiveram péssimos. A dada altura, um candidato recebia pontuação de 5 (em 10) numa dada categoria. Daniel Oliveira refeiru os "cinco por cento"… Já Maria Elisa, no fim anunciou o site da rtp como : rtpwww.pt
Bonito também como o programa passou de "eleição do maior português" a "passatempo".
Coisas do tempo.