Luís Nobre Guedes deu uma famigerada entrevista ao Expresso. Nela, o "número dois" de Portas confirmou a imagem que tinha dele após uma reunião cá no Porto há uns meses. Nobre Guedes representa um CDS antigo e antiquado, pelo menos numas matérias. É muito dogmático em relação ao papel do Estado, e, sem dúvida, o osso mais duro de roer na Comissão Política de Portas - para um "perigoso" liberal como eu, claro está.
A verdade é que todos têm direito à sua opinião e é de saudar a defesa que LNG faz das escolhas pessoais quanto à constituição das famílias mas o LNG é mais um daqueles decisores políticos que precisava de alguma formação económica de base para compreender os "perigosos liberais". Curiosamente LNG parece funcionar ao contrário do que muitas vezes vemos no CDS. Parece mais conservador na Economia, e mais liberal nos costumes.
Mas, como a muitos que se aventuram em vaticinar o futuro negro que as propostas liberais invariavelmente trariam, pergunto: se LNG reconhece que «Existem dois milhões de pessoas em Portugal que vivem abaixo de 60% da média nacional, há cerca de 21% da sociedade portuguesa que vive em risco de pobreza, e 15% há mais de dois anos, e as crianças e os idosos são os mais afectados. Contra estes fenómenos todos eu não acho que seja possível substituir o Estado.» acha que é preciso mais Estado? O que tivemos nestes trinta anos não resolveu, antes agravou todos e demais problemas sociais, indicadores de desemprego e económicos. Sendo assim, se não se pode substituir o Estado no combate a estes fenómenos, porque não o resolveu ele desde o 25 de Abril? Onde falta Estado?
Tenho medo da resposta a esta pergunta. Medo que de dentro do CDS me respondam com um misto de "engenharias sociais", de métodos de melhor "distribuir" a riqueza, de "mais justos salários". No fundo medo que o CDS seja igual aos outros partidos, só mude nos actores e no tom do discurso.
Também por isso se justifica a Ala Liberal de que tanto se fala. Fosse o CDS já de si adverso a este discurso, não valeria o esforço. Precisando o CDS de uma voz que defenda a propriedade e a iniciativa privadas como motor da sociedade, que se organize essa voz em torno de alguns princípios - sim, tem que ser - liberais.