À Vontade do Freguês






23 June, 2007

Taxas Planas

Sou um grande fã de taxas planas, desde que Merkel as introduziu na última campanha das legislativas alemãs. Kirchhoff, professor universitário que se perfilava para Ministro das Finanças, explicou o modelo numa excelente entrevista ao Spiegel.

O princípio é simples: taxam-se todos os rendimentos à mesma taxa, independentemente de que tipo de rendimento se trata. Na mesma leva acaba-se com o grosso das deduções fiscais. Idealmente, como resultado, obtemos menos impostos para todos e simplicidade fiscal: a declaração de impostos pode ser feita num guardanapo.

O António Amaral faz aqui referência a um texto de fácil compreensão para quem se queira inteirar da questão. Nesse texto lê-se o que acabou por acontecer ao dito Kirchhoff:

6. Will politicians who support flat tax be stoned to death?

They might well. A commitment to flat tax at a particular rate is open to all kinds of scare stories from unscrupulous politicians. If you promise a flat tax of 20 percent, there will be plenty of people to frighten the electorate, and you might well be stoned to death, metaphorically speaking.


20 June, 2007

Eutanásia

Concordo com o Carlos Loureiro:

Se se concluir que a actual proibição legal da eutanásia assenta, exclusiva ou essencialmente, numa determinada concepção religiosa da vida e do direito (ou da sua ausência) de lhe pôr termo, pouco mais haverá para debater. A fé de cada um não pode justificar a imposição de deveres (ou de proibições) a quem a não partilha, pelo menos nos casos em que o único afectado pelo exercício de tal direito (ou liberdade) seja o seu próprio titular.


A meu ver, o debate passará sobretudo por questões laterais ao reconhecimento do direito a pôr termo a vida: qual o grau de colaboração de terceiros que deve admitir-se? E que terceiros podem colaborar (pessoal médico qualificado/outros)? como deve aferir-se o grau de livre expressão da vontade de quem quer pôr termo à vida? qual a relevância que pode dar-se às expressões prévias de vontade (imagine-se alguém que declara querer pôr termo à vida se e quando ficar em estado vegetativo ou for afectado por certa maleita que o impeça de declarar a sua vontade)? Pode eutanasiar-se alguém com base na sua vontade hipotética? etc.

Sem ter resposta para muitas dessas questões "laterais" (E pessoalmente preocupa-me a questão das expressões prévias, e de como podemos saber se a decisão de alguém se mantém ao fim de x tempo.), declaro-me, no geral, favorável à eutanásia.

A sociedade não pode "condenar" ninguém a ficar vivo contra a sua vontade. E a vontade do indivíduo prevalece. Sou contra a legalização do aborto por isso mesmo.


19 June, 2007

Sobre natalidade

Concordo plenamente com o Bruno Alves:

Mesmo que, porventura, o subsídio fosse elevado ao ponto de alterar a opção das pessoas, o resultado não seria muito bom: estar-se-ia a criar uma espécie de "parideiras públicas", transformando a maternidade em profissão paga pelo contribuinte, como, segundo relatos, é o caso em certas camadas mais desfavorecidas da população inglesa.

(…)

Se o Estado quer "ajudar" ao crescimento da natalidade, não precisa de dar "carinho" a ninguém. Precisa de sair da frente, e deixar que se cire um verdadeiro mercado de arrendamento. Precisa de sair da frente, e deixar de sugar uma parte tão grande do rendimento dos contribuintes


18 June, 2007

União Europeia admite proibir publicidade à “fast food”

A sanha persecutória aos comportamentos desviantes continua… Depois do tabaco é a vez dos gordos serem devidamente chamados à atenção. Bem à moda de Chavéz, Segundo a edição de hoje do "Diário de Notícias", para Kyprianou [comissário europeu da Saúde] o ideal seria que a indústria alimentar anuísse voluntariamente a acabar com a publicidade à comida não saudável para as crianças.

Mas como a indústria não se comporta como o senhor comissário entende, não há nada que não se resolva: toca lá a proibir a publicadade. Vêm aí também campanhas de sensibilização dos pais para que saibam quando e como dizer não aos filhos. Afinal é para o bem de todos.

O resto, podemos concluir: primeiro a proibição de vender certos alimentos a menores, depois rotulagens alertando para os malefícios com avisos ["Comer muito põe-te gordo", "Este alimento contém açúcar e gorduras que fazem mal", etc]. Seguir-se-á o encerramento de estabelecimentos, ou pelo menos a instituição de zonas separadas. Por fim, concluo, quem ainda não tiver percebido o mal que está a fazer a si mesmo e/ou a seus filhos, leva com uma terapia compulsiva para ser trazido à razão…

Como vemos pelos comentários da notícia do Público, as pessoas aplaudem e concordam. Tudo porque não confiam nos pais para educar as crianças, e porque isso lhes tira o ónus dessa responsabilidade quanto às próprias crianças. Que venha o governo decidir por uns e outros. Lentamente, por vias democráticas e legitimadas, avançamos para o totalitarismo ecológico-sanitário-higiénico.

Quem cala, consente. Que não se queixe quando lhe vierem tirar o carro - porque polui, a casa - porque tem humidade, a voz - porque diz baboseiras, a liberdade - porque é perigosa; pois é e ainda bem.

 

Ler também


16 June, 2007

Chamar as coisas pelos Nomes

Eu, abaixo assinado [virtualmente, enfim],

declaro que não doei dinheiro ao CDS em altura nenhuma, e que se o fizesse tinha o cuidado de assinar com um nome mais "aceitável" que o meu, como às vezes faço para marcar mesa num restaurante [Miguel Mendes é comum].

Assino,

 

Michael Lothar Mendes Seufert 


15 June, 2007

Factoriais?

Os candidatos à CML são doze. Se um canal de televisão quiser fazer debates dois-a-dois com todos os candidatos, quantos debates terá de fazer?

O cálculo mais sistemático para encontrar o número de pares que é possível formar com doze elementos, é de facto recorrendo a factoriais. Usa-se o coeficiente binomial ‘C’, de combinações.

Falamos de 12 combinações 2-a-2. O cálculo é C(12,2)=12!/((2!*(12-2)!), o que é igual a 12*11/2=66.

Uma forma com igual sucesso, mas sem grande formalismo, é considerar que o candidato A faz 11 debates, o candidato B faz 10 (pois o debate com o candidato A já não é contabilizado), e assim sucessivamente, chegando-se ao somatório N=11+10+9+8+7+6+5+4+3+2+1=66, claro está.

Parece ser esta forma proposta por Ferreira Fernandes, e de facto não usa factoriais. Mas a forma "canónica" utilizada para contagens envolve factoriais, sim senhor - porque permite trabalhar com números maiores que este. Imagine que eram 33 candidatos e queria calcular quantos debates fazia 3-a-3…

Já agora, o factorial é aquele símbolo ‘!’ que vemos em máquinas de calcular e na fórmula que uso mais acima. Significa que se multiplica o número em questão por todos os números naturais até 1. Assim, 5!=5*4*3*2*1=120.

 


14 June, 2007

As time goes by…

O tempo passa, ficam as memórias. Com a Net, as memórias ganham novamente forma.

Ainda sei alguns destes sketches de cor… É impressionante.

Big Show Chique 

Filhos do Bento etc, parte 1 (com o clássico "menina, ó menina, não chores…")

Continuar a ler…


12 June, 2007

Another one bites the dust…

Rui Rio. Aguardamos Marques Mendes a retirar a confiança política…


E a revolução avança!

El presidente de Venezuela, Hugo Chávez, ha instado a sus seguidores a desprenderse de los bienes superfluos que posean, para demostrar que son "verdaderos socialistas".

O que me deixa a pensar porque é que "verdaderos socialistas" háo de ter adquirido bens supérfulos, in the first place.

Mas Chavéz não deixa de mostrar que está bem na vanguarda. "Una revolución no puede funcionar sin trabajo voluntario" assegura mais abaixo.

Conhecemos bem os voluntários das revoluções mundo fora… 


A (minha) Feira do Livr0

 

 

 

O Livro de Hitler, organizado por Henrik Eberle e Mathias Uhl, Aletheia.

 

 

 

 

 

 

Napoleão e Wellington, Andrew Roberts, Verbo.

 

 

 

 

 

Livro Negro de Cuba, Repórteres Sem Fronteiras, Aletheia.


9 June, 2007

Ainda vai tempo!

O À Vontade do Freguês começou faz hoje um ano!

Que seria disto se o mundo ou a blogosfera tivessem mesmo acabado


6 June, 2007

Leituras…

Sugestões para a minha ida à Feira do Livro? Ano passado trouxe isto.


5 June, 2007

Imposto

Um artigo interessante para quem viaja, que explica como poupar os custos de roaming no estrangeiro. Até indica companhias que se especializaram em oferecer o serviço de "cellphone abroad". Claro que na UE, graças à Comissão Europeia, o roaming vai ser mais barato. Quem poupa? Quem viaja muito com o telefone do país de origem e não aproveita soluções como as indicadas no tal artigo. Quem paga mais? Quem fala muito no seu país, visto ver as tarifas actualizadas para compensar a fixação de preços imposta. Mais um imposto, no fundo.


Ota

A hipótese aqui apontada para a Ota e o mercado aeroportuário é a que me parece a mais adequada. Privatize-se a gestão dos aeroportos (separadamente, i.e., não vale privatizar a ANA ficando ela com todos os aeroportos) e permita-se que particulares possam investir onde quiserem para levantar um novo aeroporto.

E, já agora, não terraplanem a Portela.


4 June, 2007

Lóbi muda de poiso

O sempre interessante Lóbi do Chá mudou-se para o sapo.

Ao JCS desejo que continue a postar como sempre. 

Siga-o aqui.  (Link também actualizado na coluna aqui ao lado)


Acuso!

A mais recente tirada do governo é deveras brilhante. Já não bastava a parvoíce do PSD de Mendes de retirar a confiança aos autarcas-arguidos, contribuindo assim para o rebaixar da condição de arguido e deixando as câmaras laranja à mercê de um qualquer denunciador. Agora vem o PS, via governo, defender que autarcas acusados tenham de, coactivamente, suspender o seu mandato.

Discordo desta medida. É altamente contrária ao princípio da presunção da inocência. Põe nas mãos  do MP a possibilidade de suspender um autarca, bastando para tal o autarca ter acusação deduzida. Ainda se os procuradores distritais, os procuradores da República e os  adjuntos fossem eleitos pelas populações dos distritos/comarcas, poderíamos estar perante o sistema de "checks and balances" democráticos. Assim fica a ideia de que o governo apenas quer tirar poder aos eleitores e aos órgãos existentes para ficar com mais uma certeza de que o país se governa melhor com mais leis, mais tribunais mais burocracia, e menos intervenção dos cidadãos.

Por fim, põe-se a dúvida da equidade: se esta medida de suspensão se aplica a autarcas, porque não a deputados, membros do governo? 


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