À Vontade do Freguês






20 June, 2007

Eutanásia

Concordo com o Carlos Loureiro:

Se se concluir que a actual proibição legal da eutanásia assenta, exclusiva ou essencialmente, numa determinada concepção religiosa da vida e do direito (ou da sua ausência) de lhe pôr termo, pouco mais haverá para debater. A fé de cada um não pode justificar a imposição de deveres (ou de proibições) a quem a não partilha, pelo menos nos casos em que o único afectado pelo exercício de tal direito (ou liberdade) seja o seu próprio titular.


A meu ver, o debate passará sobretudo por questões laterais ao reconhecimento do direito a pôr termo a vida: qual o grau de colaboração de terceiros que deve admitir-se? E que terceiros podem colaborar (pessoal médico qualificado/outros)? como deve aferir-se o grau de livre expressão da vontade de quem quer pôr termo à vida? qual a relevância que pode dar-se às expressões prévias de vontade (imagine-se alguém que declara querer pôr termo à vida se e quando ficar em estado vegetativo ou for afectado por certa maleita que o impeça de declarar a sua vontade)? Pode eutanasiar-se alguém com base na sua vontade hipotética? etc.

Sem ter resposta para muitas dessas questões "laterais" (E pessoalmente preocupa-me a questão das expressões prévias, e de como podemos saber se a decisão de alguém se mantém ao fim de x tempo.), declaro-me, no geral, favorável à eutanásia.

A sociedade não pode "condenar" ninguém a ficar vivo contra a sua vontade. E a vontade do indivíduo prevalece. Sou contra a legalização do aborto por isso mesmo.


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