À Vontade do Freguês






19 July, 2007

Mais tiranias

A questão levantada pelo anterior post, de criminalizar/banir comentários supostamente homofóbicos, vem levantar novamente a questão dos "crimes de ódio". Nas ideias de vários quadrantes (acho que aqui não há eixo direita/esquerda, haverá o eixo liberal/socialista) certos crimes merecem ser punidos de forma agravada quando cometidos com determinada intenção. Se a intenção é bater, sim senhor. Se a intenção é bater por ser negro/muçulmano/homossexual, etc, alto lá e pára o baile, que o crime é motivado pelo ódio, levas pena a dobrar.

A questão voltou a ser levantada aquando do transsexual morto no Porto, e foi mesmo levada à UE, defendida aliás pela incansável Ana Gomes. Incansável em coarctar a liberdade e impôr a sua moral aos portugueses, e aos europeus por arrasto.

A visão de que o povo é naturalmente mau, e precisa de mão forte para se tornar bonzinho, arrasta-se em várias matérias, sendo particularmente visível nesta: deixam de ser importantes as consequências dum acto criminal (agressão, homicídio, etc), para passarem as motivações para primeiro plano. Se dois crimes dados tiverem as mesmas consequências, pune-se com maior força o praticado por "más" motivações. E desta forma se entra dentro da cabeça das pessoas e se vai ensinando o que é bom e o que é mau, que elas sozinhas não chegam lá, coitadinhas. E depois já sabemos. Depois de prendermos por longos anos os que matam por maldade, por serem ainda mais maus do que os que matam só por matar, passamos a dizer que não se pode dizer isto ou aquilo. Daí a proibir que se diga ou escreva determinadas matérias, é um tirinho (veja-se a questão da negação do holocausto ou das caricaturas de Maomé). Terminaremos em beleza a decretar o que se pode pensar e o que não se pode pensar. E não é uma matéria de Agenda LGBT, caro AAA. Se só fosse isso, combatia-se a Agenda LGBT (pelo menos aquela que diz respeito a este post). Mas trata-se de um ataque em escala às nossas liberdades. E esse é bem mais difícil de combater.

 

Nestas matérias convém sempre fazer a advertência, para todos que não me conhecem (e acreditem se quiserem). Nunca me passaria pela cabeça agredir alguém por ser negro/muçulmano/homossexual - na verdade não sou muito de agredir quem quer que seja. Mas não vivo com a ideia de que precisemos do governo, de espada de fogo na mão, para decidir o que se pode pensar ou dizer. Deixem-nos tratar disso à boa velha maneira: mandando à real merda quem pensa que um preto ou um bicha não deviam ser pretos ou bichas. Não nos tirem esse prazer.


Avanços da tirania do politicamente correcto

À medida que avança a noção totalitária (promovida pela extrema esquerda fracturante e apoiada por inúmeros idiotas úteis) de que o Estado deve combater a “homofobia”, vai diminuindo cada vez mais a liberdade: Tiraram o blog do Júlio Severo do ar!

Um dos maiores críticos do movimento gay - por contrapô-lo à moral cristã - Júlio Severo está tendo o seu blog desativado temporariamente por denúncias de “quebra dos termos de uso”.

 

N’O Insurgente
 
O problema é recorrente. Quem contraria determinada convenção, determinada onda do politicamente correcto, tem que ser calado. Quem incomoda é silenciado.
Lendo o blogue do Júlio Severo vê se que o senhor tem algumas opiniões pouco ortodoxas em relação à homosexualidade. Não concordo com quase nada do que li. Mas o que não li é mais importante. Não li Júlio Severo a incitar à violência ou ao ódio aos homosexuais - ou a quem quer que fosse. E assim sendo, não vejo razões para se calar o blogue do homem - blogue que não lerei por não ver nele nada de estimulante.
 
Aceito, contrariado, mas enfim, que as política da Google não permitam certo conteúdos nos blogues que alojam via blogger. A Google é soberana com o que deixa ou não deixa publicar nos seus servidores. Mas não contem comigo para apoiar certas medidas como esta do Brasil, da qual o Júlio será vítima se passar.
Se o leitor conseguir descontar as considerações de natureza religiosa, e as que consideram a homosexualidade anti-natural ou "desorientação sexual" (eu não sou religioso, nem aprecio ou deixo de apreciar moralmente com quem o indivíduo partilha a sua vida amorosa e sexual), poderá encontrar desenvolvimentos aqui.
 
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