O monstro contra-ataca
Também não sou grande referendo-furioso, mas na matéria do tratado europeu, parece que há uma oportunidade excelente de fazer um referendo sobre algo verdadeiramente importante.
Primeiro porque da maneira que o nosso sistema funciona (o chefe de governo eleito pelo Parlamento), o Parlamento não tem de facto nenhuma independência face ao governo. Assim sendo, a aprovação pelo Primeiro-Ministro ou pelo Parlamento é-me exactamente igual. Nem percam tempo com isso que não vale a pena. (O que lança outra discussão, a ter noutra altura)
Ou seja, se é necessária uma legitimação para além da dada pelo governo, terão de a procurar noutro lado.
Depois porque o país foi indo Europa a dentro, e nunca soubemos verdadeiramente se era isso que o povo queria. É certo que os partidos anti-Europa foram sempre minoritaríssimos, mas se fossemosjulgar pela participação dos portugueses nas eleições europeias… E convém não esquecer a promessa de referendo pelos partidos do bloco central, nas últimas eleições.
Por fim, estou mesmo farto de ouvir que o tratado é muito difícil de ler, que o Zé Povinho não ia perceber, que não podemos arriscar mais um impasse com um chumbo referendário onde quer que fosse, etc, etc, etc… Se o tratado é difícil de ler, fizessem um mais legível. Já bastam as leis nacionais que me obrigam a ter que ligar a um advogado por tudo e por nada! Está bom de ver que uma das funções dos advogados é garantir a existência de empregos da classe, infiltrando-se na escrita de todo o tipo de legislação e regulamentação. De resto é bom lmebrar, que na prática não existe nenhum problema institucional na Europa. Foram “eles” que o criaram, com a invenção do Tratado Constitucional. Pois nem antes nem depois do chumbo se ouviu falar em verdadeiros problemas institucionais. A Comissão não se entende com o Parlamento? O Conselho de Ministros não trabalha bem com a Comissão? Os tribunais têm impasses por falta de cooperação com o executivo? Não, não e não. As instituições europeias funcionam bem antes e depois do chumbo. Nós é que inventámos um monstro que vai inventando formas de se manter entretido. Agora vai mudar um balanço de forças que funcionou bem, anos e anos.
Vamos ver como será o futuro da vida do monstro da burocracia europeia.
Por mim referendava-se.


Concordo plenamente contigo Micha!! A desculpa de o povo não perceber é ridicula!! Se entrassemos por aí só para as assembleias de freguesia!! Na minha opinião “aristocracia de bruxelas” está cada vez mais distanciada do comum da população julgando-se por tanto,(por ter sido iluminada pelo Espirito Santo) no direito de decidir por ela propria os destinos de 550 milhões de pessoas. Para alem de estar convencida que a Europa é ou pode vir a ser uma nação. Isso é msm de quem vive noutra dimensão.
Comment by Rodrigo Lobo d'Ávila — 31 October, 2007 @ 01:37