À Vontade do Freguês






18 February, 2008

Asas à imaginação

O João Rodrigues, “economista”, pretende debater, à esquerda, a resolução dos grande problemas da actualidade. Como não avança respostas, avanço eu. Até porque basta um bocado de imaginação:

Problema 1: Como implementar o pleno emprego?
Solução: Esta é mesmo fácil. Para implementar o pleno emprego (que é como sabemos e desejamos o objectivo de qualquer Economia, ao contrário da produtividade máxima, iac), bastava proibir o saneamento básico. Rapidamente se recuperavam os aguadeiros (as fontes públicas e os rios seriam convenientemente desviados para longe dos centros habitacionais, para potenciar a criação de empregos nesta área), que foram expulsos das ruas com o violento e barbárico desenvolvimento económico. Se esses empregos não bastarem para acabar com o desemprego (ou se por magia desaparecerem empregos noutras áreas por se alocarem recursos económicos até então desnecessários aos aguadeiros - não se preocupem, a culpa é dos porcos capitalistas), organizem-se brigadas (pagas pelo Estado, afinal é a bem do pleno emprego!) que passem pelas ruas a partir janelas de casas, a rasgar pneus de carros e a arrancar árvores de jardins. A procura económica de vidros, pneus, jardineiros criaria inúmeros empregos que certamente acabariam com o desemprego.
Claro que não podemos esquecer o mais importante: para haver pleno emprego, ninguém se poderia despedir ou ser despedido. Temos que ser razoáveis.

Problema 2: Como reverter as actuais políticas de esvaziamento do Estado Social?
Solução: OK, esta é mais difícil. É difícil, porque é difícil encontrar quem veja no actual governo medidas de esvaziamento do Estado Social. Vamos confiar nas eleições que se avizinham para tratar que nem as aparentes medidas de esvaziamento se vão manter por muito tempo.

Problema 3: Como dar mais poder ao Estado para tirar dinheiro às pessoas para que se reduza o leque salarial.
Solução: Esta é mesmo óbvia, nem carece de imaginação. Aliás, nem é preciso chatarmo-nos muito com impostos, se o objectivo é reduzir o leque salarial (objectivos neo-liberais seriam por exemplo aumentar os salário por todos). Como já temos um salário mínimo, basta introduzir um salário máximo ao mesmo valor que o mínimo e o leque salarial passa de imoral a… zero! Bingo, todos felizes. (Se isto por azar for contraditório com a solução 1 a culpa é dos capitalistas, dos neo-liberais, de Bush, de ex-marxistas ou de não haver polícia política)

Problema 4: «Como evitar o esfarelamento dos direitos e solidariedades no mundo do trabalho e como reforçar os contra-poderes laborais no espaço da empresa?»
Solução: Obrigar todos os trabalhadores a sindicalizarem-se. Só isso permitirá a solidariedade no mundo de trabalho. Tem é que ser no mesmo sindicato, senão não dá - há sempre uns sindicatos que são manipulados e defendem objectivos contrários aos do proletariado. (Sacanas!) Mesmo imposta, solidariedade é sempre solidariedade. Proibir o lock-out também poderá ajudar a equilibrar os contrapoderes. (Já é proibido)

Como já vi de tudo, queria esclarecer que este post é irónico, e que claro que ninguém defende medidas das apresentadas. Muito menos Economistas (preocupados em estudar a gestão daquilo que nos rodeia). O problema são os economistas com aspas, que ignoram o fundamental na Economia: a acção dos Homens. São os neo-socialistas que nos levam para o fundo, aplaudidos pelos que ignoram os mais simples princípios da acção humana. O bom economista não é o que procura medidas de curto prazo, mas as de longo prazo. É o que procura favorecer toda a sociedade e não uma fatia desta.

O pleno emprego, a solidariedade entre trabalhadores e a redução do leque salarial, por via administrativa, são metas que só se atingem por coacção. Daí a referência à polícia política.
Um sistema de liberdades, sem deixar de garantir a sobrevivência dos que não conseguem aceder a um patamar de subsistência, é muito mais eficaz a maximizar a distribuição de riqueza e bem-estar, que qualquer sistema coercivo-burocrático que deixa o poder nas mãos dos funcionários administrativos - milagrosos benfeitores incorruptíveis. Foi assim nos sistemas comunistas, socialistas, fascistas e corporativos, que não se percebe como deixará de ser no neo-socialismo proclamado pela nova-velha esquerda.


2 Comments »

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  1. Nesse saco dos neosociais, enfie-se também os neoliberais.

    Comment by Mário Lopes — 19 February, 2008 @ 00:07

  2. É possível, desconheço a filosofia.
    Guio-me pelos bons velhos liberais…

    Comment by ms — 19 February, 2008 @ 00:14

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