À Vontade do Freguês






27 March, 2008

Carolices

Sobre o filme que passou à exaustão na TV, rodado numa sala de aulas no Carolina, há algumas coisas que penso que não têm sido ditas com suficiente força:

Por muito que custe, não consigo ver nas imagens algo que qualifique como agressão. Vejo uma discussão, uns empurrões, linguagem e atitudes intoleráveis numa sala de aulas, uma professora que perde - já deve ter perdido há muito - o controlo sobre uma turma, e pouco mais.
Isto para dizer que me parece um redondo disparate levantar um auto no tribunal de menores para julgar a aluna.

O que a aluna fez não tem, a menos que esteja completamente enganada, espaço para um tribunal. A professora tirou-lhe o telemóvel e a rapariga resistiu. Nada de mais normal.

Claro que o caso não se passou na rua, onde mesmo o uso de força por parte da rapariga para reaver a sua propriedade seria justificado, mas sim numa sala de aula. Mas está escrito nalgum código penal, que os professores podem confiscar a propriedade dos alunos numa sala de aula? Parece-me que não. Isso justifica a atitude da aluna, ou desculpa-a? Claro que não. Mas é paradigmático do fim da autoridade da escola quando são os tribunais que vêm resolver algo que deveria passar pelas instâncias da escola (partindo eu do princípio que não houve nada na atitude da aluna que seria passível de punição se se tivesse passado fora da sala de aulas).
As perguntas importantes, são portanto:
*a escola tem política quanto ao uso de telemóveis na sala de aula, ou no recinto escolar?
*a escola tem política quanto à punição de atitudes dos alunos que desrespeitem os professores?
*a escola tem algum tipo de regulamento disciplinar?

Em suma: quais os sinais que a escola dá aos alunos quanto a comportamentos que são, evidentemente, inaceitáveis numa sala de aulas? Quais os apoios que os docentes sentem que têm por parte da escola em situações desta natureza?

Se a escola não consegue controlar este tipo de situações, e têm que ser os tribunais a intervir, então a escola falhou e falha em educar e ensinar aos alunos quais os limites do aceitável em situações como as de uma sala de aula. É triste. Mas não cabe aos tribunais suprimir essa incapacidade da Escola.


Atulhado

Continuo a pôr em dia a leitura do que perdi por uma semana longe do país e longe da Internet. Dos cerca de 700 posts por ler que o Google Reader me guardou, continuo com 435 (contando com os publicados desde que cheguei, evidentemente).


Galvão de Melo

Voltado de férias, não podia deixar de partilhar a tristeza pela única notícia de Portugal que me fizerem chegar à Alemanha: a morte do General Galvão de Melo, o “último dos duros“.
Estive com o General no fim-de-semana de 8 e 9 de Março, quando o General encerrou os trabalhos das Jornadas da Constituição, que a JP organizou em Lisboa. Tive oportunidade de falar várias vezes com ele, até porque o General não se limitou a vir falar com os participantes no painel para o qual foi convidado, mas optou por assistir a todos os trabalhos. Fiquei muito impressionado com a lucidez do General, com a facilidade com que contava histórias passadas há muito, mas também com a coincidência com as minhas ideias que encontrei nele.

À família e aos amigos do General, os meus sentimentos.


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