A inflação é daquelas coisas da Economia que achamos que compreendemos e percebemos, até que nos pomos a estudar a matéria. Como com as taxas aduaneiras, por exemplo, o senso comum é inimigo da verdade.
O Carlos Novais diz aqui, e muito bem,
Se a quantidade de dinheiro fosse fixa, a subida do preço de um produto induziria à queda de outros. Além disso, todo o crescimento económico se traduziria na baixa generalizada de preços (como de resto se verificou no século 19).
E já agora valia a pena que algumas cabeças iluminadas da nossa política (todas, na verdade) percebessem que inflação não é a subida de preços, muito menos uma subida de preços sistemática por ganância dos capitalistas, mas sim que a subida de preços é um sintoma daquilo que, como o Carlos menciona e muito bem, é a inflação propriamente dita: um fenómeno monetário, artificial e consciente, que consiste em imprimir dinheiro indiscriminadamente.
Menciono isso ao de leve no manual de economia da Juventude Popular:
Convém, também, não cair na confusão de associar inflação a uma das suas consequências.
Inflação não é subida de preços. O aumento dos preços é consequência directa da inflação:
mais dinheiro em circulação sem contrapartida no aumento de comodidades disponíveis leva a que as pessoas possam oferecer mais (em valor nominal) por cada uma das comodidades.
Goods then rise in price, not because goods are scarcer than before, but because dollars are
more abundant. (HAZLITT, 1965, p.2).
Ou seja, o aumento de preços, neste caso, não se deve a uma escassez ou carência de
comodidades. Dificilmente se compreende que o aumento generalizado de preços seja
provocado por uma carência generalizada de todo o tipo de comodidades. Seria certamente
curioso perceber como é que todas as comodidades entram em baixa de oferta ao mesmo
tempo. Como tal, de nada serve aumentar a produção para “compensar” as carências que
criam a inflação. No mesmo sentido não é possível dar crédito a quem afirma que os preços
sobem porque os produtores ou distribuidores estão a especular e a guardar “demasiados”
bens.
Por fim, por tudo o que vimos, o que também não resolve inflação é impôr tectos à subida de
preços. Por tudo o que dissemos no respectivo capítulo e pela razão mais importante: afasta-nos
da real causa da subida e do respectivo combate. A inflação combate-se combatendo-se
as suas causas. Abtenhamo-nos de entrar em considerações políticas. Do ponto de vista
económico é simples: The cure is to stop increasing money and credit. The cure for inflation, in
brief, is to stop inflating. It is as simple as that. (HAZLITT, op.cit., p. 15).
Os destaques a bold não constam no texto original.