À Vontade do Freguês






27 May, 2008

Socialismo bruto

Tenho andado demasiado ocupado com coisas demasiado fúteis, e por isso tenho que fazer um salto para o passado, para não deixar passar em claro a entrevista de Bruto da Costa, coordenador do estudo “Um Olhar Sobre a Pobreza”, ao Público.
A entrevista é paradigmática de vários vícios socialistas de pensamento. Desde logo o de fazer um estudo destes, pago por não sei que instituto público, que por sua vez é pago pelos meus impostos.
E é engraçado, que até há um momento em que pensei que afinal até assinaria o tal estudo. Diz o investigador:
[Após a entrada na CE] Portugal passou a ter programas de luta contra a pobreza, através de metodologias que deram um salto qualitativo no modo de encarar e tratar a pobreza. Poderíamos esperar que a pobreza tivesse uma redução apreciável. (…) Não teve(…) A pobreza em Portugal ou se manteve estável ou teve uma redução sem proporção com o esforço feito desde que Portugal entrou na UE, na luta contra a pobreza.
Mais abaixo elucida-nos:
Todos os projectos são desenhados de modo a não mexer no resto da sociedade. Essa é uma limitação decisiva. Se não há mudança social, não pode haver erradicação da pobreza. Se os programas não tocam no resto da sociedade, tentam resolver a pobreza dentro do universo da pobreza, mas não estão a resolver as causas. (…) Por definição: se tenho um problema de repartição primária (o dos salários), ele resolve-se por via da política económica.

O problema está, está visto, na distribuição dos salários. E resolve-se, claro, distribuindo melhor os salários. E a infelicidade de Bruto da Costa, é que num inquérito europeu de 2002 dois terços dos portugueses atribui a pobreza a factores que não são solúveis.
Ainda assim, alguém lhe deu dinheiro, para ver se mostrava como resolver um problema que dois terços dos portugueses entendem que não é solúvel. E ainda se queixa do nosso país!
Temos Socialista!


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