Ainda o Socialismo bruto
Ainda sobre a entrevista de Bruto da Costa, comentada aqui, vale a pena perder algum tempo para reflectir sobre as “soluções” que Bruto da Costa propõe para resolver o problema da pobreza. Refiro-me em particular a esta resposta:
Há muito que defendo que deve haver uma diversificação das fontes de rendimento: uma parte do trabalho, outra do capital, o que implica uma democratização no acesso ao capital, que não é só poder comprar uma acção: o número de acções que um cidadão comum tem não lhe permite ter a mais pequena influência na gestão da empresa. O que importa que o capital esteja disseminado quando quem continua a mandar são os grandes? A democratização do capital deve ser também a democratização da empresa.
Pode haver ainda medidas como um rendimento básico – já utilizado numa região da Bélgica e num estado norte-americano – que todos os cidadãos recebem, sobre o qual constrói o seu rendimento familiar. Esse rendimento básico pode não ser suficiente para viver, mas é uma almofada que protege nos ciclos em que inesperadamente se perde o rendimento.
Num mercado economicamente liberal, temos que saber se é possível alguma vez termos pleno emprego. Eu tenho dúvidas.
É extraordinário: o acesso livre ao capital, que pelos vistos na óptica de Bruto da Costa não existe, não bastará para que as empresas sejam democráticas. Teriam também que haver uma forma qualquer de acabar com a proporcionalidade dos votos nas decisões das empresas. Em suma, as empresas só serão democráticas, quando se organizarem de forma não democrática - resta saber o que isso tem que ver com pobreza… Será, provavelmente, uma maneira de impedir que as empresas sejam geridas por perigosos capitalistas que só procurem o lucro, para serem geridas pelo povo normal, que não se preocuparia com isso de fazer dinheiro.
Sem perder muito tempo com o “rendimento básico” - não é já o RSI? - avançaria para a questão do pleno emprego.

