E o grande problema para a compreensão de muitos efeitos económicos é o dinheiro. É mesmo!
Quando Bruto da Costa diz que o problema está nos salários, não percebe que os salários em €uro, são uma abstração. Se os salários subirem, mas não subirem os bens produzidos por eles, de nada serve esse aumento.
Tudo se torna mais fácil se tirarmos o dinheiro da equação. Vamos pensar em bens. Os trabalhadores duma determinada empresa (produtora de carros, p.ex.), ao invés de serem pagos em Euro, são pagos com um cabaz de bens - imagine o leitores os bens que quiser, que seriam transacionáveis no mercado por tudo o mais que lá houvesse. Os capitalistas da empresa, trocariam os carros que a empresa produz pelos bens com que pagariam os trabalhadores, mais aqueles que necessitam para operar a fábrica, bem como o seu próprio salário e os lucros para os investidores.
Tal como num mercado com moeda, num mercado com bens, há preços para os vários bens disponíveis, que se controlam pela oferta e a procura. Só que ao invés de carregar notas ou moedas, os próprios bens têm que ser carregados e trocados - se o leitor ao chegar aqui ainda não perceber porque é que o dinheiro é uma benção face ao sistema apresentado, pode parar de ler aqui: também não vai perceber o resto.
A questão principal no entanto prende-se com os salários: a solução de BdC para a pobreza é aumentar os salários. Pois aumentem-se então os salários dos nossos trabalhadores da empresa de automóveis. Se esse aumento não for acompanhado dum aumento de produtividade (ou seja a empresa continua a produzir o mesmo número de bens) o que acontece é que a empresa deixa de ter condições de funcionar, e teria que fechar.
Mas vamos dar novo passo: ao invés de apenas aumentar o salário dos nossos trabalhadores-exemplo, aumentamos o de toda a economia considerada: cada trabalhador receberia mais uma camisola de lã ao fim do mês, ou seu equivalente em outros bens. São propostas como as que o BE defendeu no passado aquando da “Marcha do Emprego”: Aumentem-se os salários, ou baixem-se as horas de trabalho sem baixa correspondente no salário. Como temos uma economia monetária, até parece porreiro: mais dinheiro ao fim do mês, mais riqueza. Só que se não nos iludirmos com a presença do dinheiro, e pensarmos em bens, tudo fica mais claro: se a nossa economia subir os salários em bens, mas se não forem produzidos mais bens, como podem os nossos trabalhadores receber mais? Como podem os nossos trabalhadores receber mais, se não existe mais que lhes dar?
É por isso que é irresponsável e ignorante defender um aumento salarial como fim da pobreza. O que precisamos é de maior produtividade, maior eficiência nos processo, trocas mais rápidas e informadas. Em suma: menos socialismo.
Nota final: quando o BCE ou a FED baixam as taxas de juro, ou injectam moeda na economia, estão a fazer crescer a massa monetária disponível, logo a aumentar o número de euros ou doláres que competem para a aquisição de bens. No fundo estão a dizer que há mais bens disponíveis, quando não os há. A isso chama-se inflação. Os preços sobem, as poupanças ardem. Obrigadinho.
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