À Vontade do Freguês






29 May, 2008

Subsídios ao Etanol

A Economia é tramada:

Thanks to the inflating cost of popcorn, the price of movie tickets is expected to skyrocket by as much as 30% this year

If movies and popcorn are complements, you might think that higher popcorn prices would imply lower movie prices, to partially restore the cheapness of the overall bundle. But more realistically, the movie is a loss leader to attract buyers of high-margin popcorn. If popcorn gets priced out of buyers’ range, movie prices will rise to make up the difference since cheap tickets no longer bring in so much extra revenue at the concession stand.


Pescadores em greve

Os pescadores estão em greve porque a venda do peixe não lhes paga os custos, que subiram em paralelo com os aumentos dos combustíveis. Até aqui tudo bem, ninguém paga para trabalhar, é normal.
O que não percebo, e ainda não vi abordado, é porque é que não sobem o preço do peixe.


O dinheiro, malvado

E o grande problema para a compreensão de muitos efeitos económicos é o dinheiro. É mesmo!
Quando Bruto da Costa diz que o problema está nos salários, não percebe que os salários em €uro, são uma abstração. Se os salários subirem, mas não subirem os bens produzidos por eles, de nada serve esse aumento.
Tudo se torna mais fácil se tirarmos o dinheiro da equação. Vamos pensar em bens. Os trabalhadores duma determinada empresa (produtora de carros, p.ex.), ao invés de serem pagos em Euro, são pagos com um cabaz de bens - imagine o leitores os bens que quiser, que seriam transacionáveis no mercado por tudo o mais que lá houvesse. Os capitalistas da empresa, trocariam os carros que a empresa produz pelos bens com que pagariam os trabalhadores, mais aqueles que necessitam para operar a fábrica, bem como o seu próprio salário e os lucros para os investidores.
Tal como num mercado com moeda, num mercado com bens, há preços para os vários bens disponíveis, que se controlam pela oferta e a procura. Só que ao invés de carregar notas ou moedas, os próprios bens têm que ser carregados e trocados - se o leitor ao chegar aqui ainda não perceber porque é que o dinheiro é uma benção face ao sistema apresentado, pode parar de ler aqui: também não vai perceber o resto.
A questão principal no entanto prende-se com os salários: a solução de BdC para a pobreza é aumentar os salários. Pois aumentem-se então os salários dos nossos trabalhadores da empresa de automóveis. Se esse aumento não for acompanhado dum aumento de produtividade (ou seja a empresa continua a produzir o mesmo número de bens) o que acontece é que a empresa deixa de ter condições de funcionar, e teria que fechar.
Mas vamos dar novo passo: ao invés de apenas aumentar o salário dos nossos trabalhadores-exemplo, aumentamos o de toda a economia considerada: cada trabalhador receberia mais uma camisola de lã ao fim do mês, ou seu equivalente em outros bens. São propostas como as que o BE defendeu no passado aquando da “Marcha do Emprego”: Aumentem-se os salários, ou baixem-se as horas de trabalho sem baixa correspondente no salário. Como temos uma economia monetária, até parece porreiro: mais dinheiro ao fim do mês, mais riqueza. Só que se não nos iludirmos com a presença do dinheiro, e pensarmos em bens, tudo fica mais claro: se a nossa economia subir os salários em bens, mas se não forem produzidos mais bens, como podem os nossos trabalhadores receber mais? Como podem os nossos trabalhadores receber mais, se não existe mais que lhes dar?
É por isso que é irresponsável e ignorante defender um aumento salarial como fim da pobreza. O que precisamos é de maior produtividade, maior eficiência nos processo, trocas mais rápidas e informadas. Em suma: menos socialismo.

Nota final: quando o BCE ou a FED baixam as taxas de juro, ou injectam moeda na economia, estão a fazer crescer a massa monetária disponível, logo a aumentar o número de euros ou doláres que competem para a aquisição de bens. No fundo estão a dizer que há mais bens disponíveis, quando não os há. A isso chama-se inflação. Os preços sobem, as poupanças ardem. Obrigadinho.

Ler também: Socialismo bruto, Ainda o Socialismo bruto, Pleno Emprego, perigosa Utopia.


Pleno Emprego, perigosa Utopia

Continuação daqui:
O pleno emprego é uma velha bandeira socialista, e apesar de não se perceber como entra na luta contra a pobreza: um pouco antes de se lamentar de não ser alcançável o pleno emprego numa Economia livre, BdC queixava-se que muitos pobres até tinham emprego, mas não lhes pagavam o suficiente. Seja como for, BdC tem razão numa coisa: numa sociedade livre, nunca haverá pleno emprego. Eu acrescentaria: ainda bem.
Achar que “pleno emprego” é algo que as políticas deveriam perseguir, é pedir que as políticas sejam feitas contra a evolução da economia, e contra o aumento da prosperidade. Vejamos: quantos empregos foram destruídos, e continuam a ser devido a evoluções tecnológicas, automação de processos, robótica, aumentos de eficiência, etc? Fiadeiras, aguadeiros, condutores de coches, operadores de máquina, mineiros, etc, etc? E no entanto, temos mais ou menos desemprego que antes dessas inovações? Seria, por exemplo, boa política de combate ao desemprego proibir as empresas têxteis de usar máquinas de costura? Ou as de automóvel de proibir robots? Haverá quem diga que sim, mas a verdade é que hoje vivemos em média, e em absoluto, melhor que antes de termos robots e máquinas de costura. Os ricos são mais ricos, e os pobres são mais ricos hoje, quando comparado com há cem anos atrás (ou com há dez anos, já agora).
Porquê? Porque quanto menos recursos gastarmos na produção de determinado bem, mais barato ele fica. E o tempo e a mão-de-obra são dois recursos chave. Bens mais baratos tornam-se mais acessíveis e disponíveis. Numa economia sem expansão de moeda, i.e. em que o valor monetário em circulação se mantivesse constante, não seriam precisos aumentos salariais, para que as pessoas ficassem ricas com o passar de anos, porque os aumentos de produtividade lhes dariam mais a comprar com o mesmo dinheiro. Por outras palavras, os bens ficariam mais baratos.
Por isso, achar que o pleno emprego é um fim em si mesmo é perigoso e até estúpido. Uma economia, para poder gerar mais riqueza, vive da alteração do tecido laboral, e do despedimento nuns sectores, para gerar empregos noutros. Não vive do emprego para a vida. Achar que se pode parar nisto, é voltar à DDR, em que um carro demorava 15 anos a ser entregue.
O pleno emprego não é atingível, e ainda bem.


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