À Vontade do Freguês






29 May, 2008

Pleno Emprego, perigosa Utopia

Continuação daqui:
O pleno emprego é uma velha bandeira socialista, e apesar de não se perceber como entra na luta contra a pobreza: um pouco antes de se lamentar de não ser alcançável o pleno emprego numa Economia livre, BdC queixava-se que muitos pobres até tinham emprego, mas não lhes pagavam o suficiente. Seja como for, BdC tem razão numa coisa: numa sociedade livre, nunca haverá pleno emprego. Eu acrescentaria: ainda bem.
Achar que “pleno emprego” é algo que as políticas deveriam perseguir, é pedir que as políticas sejam feitas contra a evolução da economia, e contra o aumento da prosperidade. Vejamos: quantos empregos foram destruídos, e continuam a ser devido a evoluções tecnológicas, automação de processos, robótica, aumentos de eficiência, etc? Fiadeiras, aguadeiros, condutores de coches, operadores de máquina, mineiros, etc, etc? E no entanto, temos mais ou menos desemprego que antes dessas inovações? Seria, por exemplo, boa política de combate ao desemprego proibir as empresas têxteis de usar máquinas de costura? Ou as de automóvel de proibir robots? Haverá quem diga que sim, mas a verdade é que hoje vivemos em média, e em absoluto, melhor que antes de termos robots e máquinas de costura. Os ricos são mais ricos, e os pobres são mais ricos hoje, quando comparado com há cem anos atrás (ou com há dez anos, já agora).
Porquê? Porque quanto menos recursos gastarmos na produção de determinado bem, mais barato ele fica. E o tempo e a mão-de-obra são dois recursos chave. Bens mais baratos tornam-se mais acessíveis e disponíveis. Numa economia sem expansão de moeda, i.e. em que o valor monetário em circulação se mantivesse constante, não seriam precisos aumentos salariais, para que as pessoas ficassem ricas com o passar de anos, porque os aumentos de produtividade lhes dariam mais a comprar com o mesmo dinheiro. Por outras palavras, os bens ficariam mais baratos.
Por isso, achar que o pleno emprego é um fim em si mesmo é perigoso e até estúpido. Uma economia, para poder gerar mais riqueza, vive da alteração do tecido laboral, e do despedimento nuns sectores, para gerar empregos noutros. Não vive do emprego para a vida. Achar que se pode parar nisto, é voltar à DDR, em que um carro demorava 15 anos a ser entregue.
O pleno emprego não é atingível, e ainda bem.


3 Comments »

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  1. O pleno emprego não é atingível, e ainda bem.

    Fásssista!

    Comment by Migas — 30 May, 2008 @ 11:28

  2. o que interressa SALIENTAR qd falamos de pleni emprego é que, numa sociedade livre, todos aqueles que querem ser assalariados, conseguem encontrar um emprego. ( Falo de uma sociedade livre, ie, sem controlo de preços, leia-se salários mínimos ).

    Isto permitiria um nível de produção e riqueza imprecedente, talvez a um nível muito superior àquele que os defensores das políticas do pleno emprego, leia-se, emissão de moeda e facilidades de crédito, com taxas de juro artificialmente baixas…

    Comment by Miguel Almeida — 3 June, 2008 @ 00:59

  3. ERRATA:
    Falo de uma sociedade livre, ie, sem controlo de preços, leia-se salários mínimos ).
    Queria dizer: sem salários mínimos, claro.

    Comment by Miguel Almeida — 3 June, 2008 @ 01:01

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